29 de set de 2011

Entrevista: Thrash Metal Pinhão do Kruchipa

Fazia tempo que não rolava uma entrevista, para compensar esse atraso escolhemos a revelação do rock curitibano do Prêmio Ivo Rodrigues, claro que estou falando do Krucipha, que vem detonando e ganhando seu espaço na capital do Rock. Chamamos para um papo o vocal e guitar Fabiano, conversamos sobre a origem da banda, shows e claro sobre a cena metal de Curitiba. Confira:

Vito Cuneo – Como se trata de uma banda nova, não tenho como ignorar essa pergunta. O Krucipha tem a base do Kreator Kover (Fabiano, João e Felipe), como vocês começaram a banda? Qual a idéia inicial para essa formação?

Fabiano Guolo: Bem, o Kreator Kover surgiu em 2004 e foi a principal experiência musical para nós três no meio do metal, mesmo sendo um som bem diferenciado do Krucipha, além de que não havia necessidade de compor. A banda durou um total de quase 5 anos, porém o João já não estava mais com a gente desde meados de 2006. Depois, quando surgiu a idéia do Krucipha a partir do Felipe, o João foi o primeiro a ser convidado para o projeto como baixista e se encaixou muito bem. Já eu e o Felipe, desde a criação do Kreator Kover, nunca paramos de trabalhar juntos, então o meu envolvimento foi automático. Em relação aos outros caras, o Luiz Gabriel já tocou em algumas outras bandas aqui, como o Chromathia e o Overlook e era conhecido da gente. Ele foi chamado e aceitou na hora o convite - e o cara abraçou a causa totalmente! (risos). Na parte das percussões o Jgör já é amigo de muito tempo do Felipe, do João e do Caio. O Caio é irmão do João, então estamos todos em casa! Além disso, os dois já tinham uma certa experiência como bateristas, portanto não teve muito segredo na hora de completar o time!

VC – Da onde veio o nome Krucipha e o “jargão” thrash metal pinhão?

FG: O nome foi influenciado pela música Crucificados Pelo Sistema, do Ratos de Porão que foi relançada em 2000 como Sistemados Pelo Crucifa. Nós queríamos um nome que não fosse em inglês nem em português, mas que fosse de fácil assimilação até mesmo por estrangeiros e que tivesse algum significado com a temática da banda - e esta música em específico fala um pouco sobre um tema que também usamos, então foi a fusão perfeita. Mudamos a grafia por questão de personalidade. Já o jargão "Thrash Metal Pinhão" ou "Pinenut Thrash Metal" é uma brincadeira que surgiu entre os membros da banda para denominarmos nosso som, pois não conseguíamos encaixá-lo muito bem em nada que já existisse. Mas mais do que isso, é uma referência às nossas raízes, assim como a logo da banda que também carrega o desenho dos pinhões, símbolo da nossa cidade e estado.

VC - E as críticas que rolaram ou rolam em relação a essa "diferença" musical? Como a banda em geral encara os comentários?

FG: Recebemos várias críticas boas, especialmente do pessoal que não tem medo de curtir toda essa experimentação e inovação. E de forma geral a gente não recebeu nenhuma crítica negativa até hoje. Não que eu saiba pelo menos. E isso só pode significar duas coisas: ou as pessoas não tem coragem de falar na cara, ou realmente não aconteceu nada do tipo ainda! (risos). Mas a gente encara tudo isso com satisfação, orgulho e pés no chão, pois foi o resultado de dois anos de trabalho duro!

VC – Sobre a formação, da onde veio a idéia de usar percussão nas musicas? Existe dificuldade para compor as músicas?

FG: A idéia das percussões na real surgiram para dar uma certa identidade para a banda, pois não é todo mundo no meio metal que usa isto, especialmente da maneira que nós estamos usando. Quando o Felipe veio com a proposta pra gente já existia essa idéia de experimentação, inclusive tínhamos originalmente outras idéias de instrumentos, dos quais, ainda, não foram colocadas em prática. Quem sabe num futuro próximo aí. Já a composição não tem muita dificuldade não. A coisa flui bem legal.


VC – “Afforddiction” foi a música vencedora do prêmio Ivo Rodrigues. Como você recebeu a noticia?

FG: (risos) Acho que foi o momento mais angustiante no que diz respeito ao Krucipha pra mim até hoje. Foi meio "fora de mão" pra mim, porque eu estava passando uma temporada nos EUA quando surgiu a notícia que tínhamos sidos selecionados para concorrer ao prêmio. Isso por si só já foi uma surpresa para todos e quando eu vi que a premiação ia ser em fevereiro eu fiquei louco, pois voltaria para o Brasil só em março. De qualquer forma, no dia da premiação eu recebi a notícia pela internet através do nosso percussionista Caio, que já estava no bar comemorando com o resto da banda. Óbvio que emocionou né. Parte alegria pelo prêmio, parte ódio por estar tão longe! (risos)

VC – Como funciona a fase de composição das músicas?

FG: As bases para as composições surgem normalmente do Gabriel e do Felipe, que são ótimos músicos. Muitas vezes eles já chegam com a coisa quase pronta, é só dar uma polida e bala! Em alguns casos a gente acerta alguns detalhes e arranjos em estúdio mesmo quando vemos que a coisa ainda não está boa. Na hora de compor as letras eu entro em campo e assumo as rédeas, mas sempre existe um tema pré definido quando o trabalho chega nas minhas mãos, então a partir daí é relativamente fácil.

VC – Qual era a expectativa antes do show de estréia que rolou em julho no Blood?

FG: Absurdamente desconcertante. Estávamos todos nervosos e ansiosos, afinal, foram dois anos de trabalho sendo mostrados ao vivo pela primeira vez. Foi FODA!

VC: "desconcertante"?? Que nada fio, eu estava ala e achei Sensacional! Bom, um pouco de auto-crítica nunca é demais.

FG: (risos) Poxa, obrigado cara, mas devo dizer que a excitação tava muito grande também!

VC – E a agenda, muitos shows?

FG: Várias coisas em vista, mas nada totalmente confirmado ainda. Estamos trabalhando em várias outras coisas simultaneamente, mas com certeza vamos fechar novos shows com novidades legais aí também.

VC – Como vocês fazem para divulgar o som? Quais as mídias vocês mais utilizam?

FG: Cara, a gente tá tentando usar todo tipo de recurso: redes sociais (Facebook, Twitter, MySpace, ReverbNation, etc.), temos um site-blog (www.krucipha.com) onde colocamos todas as nossas informações e atualizações, estamos também vendendo merchan da banda como CDs e camisetas e os shows, claro!

VC – Vocês usam a musica como profissão ou apenas diversão?

FG: Nenhum dos dois. Aliás, a gente até encara tudo isso como profissão, digo, da maneira mais profissional possível, mas todos temos outros trabalhos, faculdade, etc. Acho que todos sabemos que no Brasil para viver como músico é MUITO difícil - especialmente se quisermos sobreviver como músicos de uma banda de metal! Claro que executar tudo isso acaba sendo divertido, mas tenho certeza que nenhum de nós vê o Krucipha somente como um mero hobby.

VC - Mas então, talvez esse seja o "X" da questão, pois temos excelentes bandas na cidade e parece que falta algo para realmente "a coisa" estourar. Sem caô Fabiano, o som do Krucipha é do tempo presente pro futuro, cabe muito bem um tour pela America no Norte e fazer sucesso por la. No Brasil que essas coisas são mais difíceis, pois depende de $ e mídia, certo? Qual sua opinião sobre isso?

FG: Eu acho que no caso do Brasil, primeiramente isto se deve muito a nossa cultura. Pois, querendo ou não, ainda existe muito preconceito em relação ao heavy metal e proporcionalmente (comparando com outros estilos musicais), o Brasil é um país com público pequeno ainda. Claro que a coisa vem mudando, os estilos vem se misturando e as pessoas vem abrindo cada vez mais a cabeça, mas daí entra o lance de que mais e mais bandas boas surgem e acaba gerando uma certa concorrência. Então eu acho que ainda estamos longe de dizer que viver como músico é uma coisa fácil.

VC - E os planos futuros, o que podemos esperar de vocês? Musicas novas? Gravação? Vide-clipe? O que vocês estão aprontando?

FG: O lance agora é tocar, tocar e tocar. Marcar shows e divulgar ao máximo esse nosso primeiro EP. Claro que também estamos trabalhando em algumas músicas novas, pois nosso setlist ainda é pequeno. Quanto à novas gravações e clipe acho que ainda não é a hora, porém certamente pensamos nisso para um futuro próximo. Mas tenha certeza que o público pode esperar cada vez mais energia e vontade de fazer a galera agitar.

VC - Como você vê a cena metal de Curitiba? Quais bandas vocês tem parcerias?

FG: Eu acho que a cena metal vai se moldando e adaptando com o tempo. Na verdade se for analisar a fundo sempre tem gente fazendo bons trabalhos, tanto produtores de eventos quanto bandas - novas e aquelas já com um certo tempo de estrada. No quesito parceria acho que ainda é cedo para falar sobre isso, pois fizemos somente um show ao lado de outras bandas de som próprio, porém claro que existe um pessoal do qual a gente mantém contato ainda desde a época que fazíamos cover, como o Necropsya, Child o'Flames, e o pessoal do Darma Khaos que surgiu pouco depois. Mas tenho certeza que logo logo novas parcerias se revelarão. Eu particularmente acho isso indispensável para a sobrevivência das bandas.

VC – Estamos chegando ao final da entrevista, desde já parabéns pelo trabalho. Deixe um recado para o nosso público.

FG: Imagina, nós que agradecemos! Aê galera: estamos preparando algumas coisas novas bem legais para nossos próximos shows, especialmente músicas novas, elas estão cada vez mais porrada. Portanto fiquem ligados no nosso site e compareçam que vai ser foda! Abraço!

13 comentários:

Anônimo disse...

"Já o jargão "Thrash Metal Pinhão" ou "Pinenut Thrash Metal" é uma brincadeira que surgiu entre os membros da banda para denominarmos nosso som, pois não conseguíamos encaixá-lo muito bem em nada que já existisse"

Quanta pretensão amigo.

A banda é uma cópia descarada de soufly e slipknot.

Não se encaixa em nada que existisse...ri demais.

Fabiano Guolo disse...

Alguém pelo jeito não entendeu a parte do "brincadeira" =p

Anônimo disse...

O anônimo não falou sobre o título "Thrash Metal Pinhão" (por mais forçado que soe), mas sim pela pretensão da banda em dizer que não consegue encaixar bem o som em nada que existe.
Todo mundo sabe que é uma cópia descarada de Soufly (inclusive a presença de palco de alguns integrantes). É notável a semelhança, só não percebe quem não conhece Soulfly e o trabalho de seus integrantes. Dizer que a banda não soa como tal ou não tem influência (uma grande influência, TÃO grande que parece mais que mera influência) é mentir pra si mesmo e tentar brincar com a inteligência das pessoas.

Que bom, bandas novas para Curitiba, fazendo o "seu" trabalho e correndo atrás de shows e divulgação, pois isso é o que parece faltar às bandas daqui. A Krucipha é extremamente bem relacionada e tem um marketing bem trabalho e divulgado, por isso é tão apoiada.

Anônimo disse...

Banda nova, entretanto um cover maquiado de som proprio. Cópia de Slipknok ali foi foda com aqueles latões adolescentes.

Krucipha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Krucipha disse...

Anônimo 2: então velho, nós nunca negamos a influência que o Soulfly tem sobre a gente. O próprio Slipknot ou Sepultura e muitas outras bandas também tem, como muitos andam dizendo. Nossas músicas ainda não gravadas deixam isto bem claro. E nós nunca negamos nada disso. Pelo contrário: temos plena consciência e até um certo orgulho de poder levar adiante algumas idéias de brasileiros que subiram fazendo o que fazem. O que me deixa triste é ver que algumas pessoas apedrejam nosso trabalho apoiados única e exclusivamente no fato de se parecer com outra coisa, sendo que tudo que for feito daqui pra frente vai se parecer com algo que já existe. :/

Anônimo disse...

Geralmente quem faz esse tipo de crítica, de duas, uma:

- Ou não toca nada e só vive para criticar;

- Ou toca e não consegue montar uma banda, talvez por não tocar bem ao ponto conseguir montar uma banda.

- Ou ainda, são aqueles ''críticos'' que vivem perambulando por sites, comunidades, etc etc, afim de fazer isso mesmo, criticar sem eira, nem beira. Tudo anonimamente lógico, o que, na minha opinião, não deve ser levado em consideração, pois esse bando de pela-saco sempre vai existir.

O Sepultura quando surgiu, era uma cópia de Hellhammer e de Venom. Depois conseguiu ter sua identidade. Tudo é parte de um processo de amadurecimento da banda. Quem não entende isso, é um idiota que não acrescenta nada à nossa, já tão dividida, cena.

Parabéns à banda e ao som bem tocado.

Fica 1 abraço

GUSTAFAH (TERRORZONE)

Fernando disse...

Ter uma banda é isso mesmo: aprender a receber críticas, por piores q sejam.

Percebe-se que muita gente sacou a imensa semelhança com soufly, sepultura roots e slipknot.

Acredito que o exposto pelos anônimos foi o fato da banda acreditar que seu som soa original ou até mesmo novo, o que realmente não é verdade.

Em Curitiba há duas correntes: aqueles que pagam pau para tudo e são os bonzinhos da cena e aqueles que falam a verdade, estes últimos sendo os taxados como trolls da internet, metidos, chatos, não apoioam a cena, etc.

Ocorre que, assim como já li em outra crítica aqui no blog, eu vi o show e realmente ao vivo a coisa soa bem diferente, bem como se faz nítido que na gravação é uma coisa e ao vivo a qualidade com os instrumentos deixa a desejar.

Enfim, boa sorte à banda. E a todas as bandas.

Anônimo disse...

Concordo com o comentário acima.
A crítica deve-se ao fato da banda insistir em dizer que é original (vide trecho da entrevista: "Já o jargão "Thrash Metal Pinhão" ou "Pinenut Thrash Metal" é uma brincadeira que surgiu entre os membros da banda para denominarmos nosso som, pois não conseguíamos encaixá-lo muito bem em nada que já existisse").
A postura de uma banda deve ser tão bem "pensada" quanto o som. Obviamente, qualquer banda que começar a apresentar o seu trabalho será julgada em todos os aspectos.
Particularmente não gosto da banda e não gostei da apresentação, mas esse não é o caso. O caso é essa falta de coerência entre a realidade e a aparência de originalidade que a banda sustenta. Qualquer banda que tenha a ousadia de assumir uma postura incoerente como essa deve estar ciente de que receberá críticas, em qualquer lugar do mundo.



Obs.: Por motivos óbvios, alguém que apoia sua argumentação dizendo que "isso é coisa de pela-saco" não tem credibilidade alguma.

Guilherme Carvalho disse...

Acho que a crítica é sempre bem-vinda e qualquer um que esteja disposto a mostrar seu trabalho, tem que estar proporcionalmente preparado para as críticas.
Minha discordância é quanto ao conteúdo das críticas. Que mal há em inspirar-se em outras bandas para fazer o seu som? Quem de banda própria é totalmente isento de influências? É isso que faz o HM evoluir, ou seja, a mistura de influências mixadas na cabeça de um fã do gênero e que viram uma coisa nova, um novo som.
Além disso, é assim que o público identifica uma banda. Ou seja, é preciso que o som seja reconhecido de alguma forma pelo público. No caso do Krucipha, as bandas slipknot, sepultura e soulfly são referências e que deram muito certo. Na minha opinião, não há mal nenhum nisso.

Anônimo disse...

Não distorçam a crítica.

Não é questão de ser isento de influências. Isenção de influências não existe. Nada cria-se do nada.

A questão é que o som, adição de instrumentos e inclusive atrevo-me a dizer, PRESENÇA DE PALCO é IGUAL a tais bandas. Igual. Ser igual não é influência. É cópia.

Anônimo disse...

Fato é, pessoas que não tem mais o que fazer, a não ser criticar bandas nesse caso a KRUCIPHA, e não tem muitos argumentos pra isso, realmente não sabe o que ta fazendo, ninguém é obrigado a gostar de KRUCIPHA! E logico que nem tudo agrada a todos, mais saber respeitar trabalho dos outros, é ter pelo menos o minimo de educação, que pelo que vejo nos comentários do nosso "amigo" anonimo não tem a minima ! Não seja ingenuo KRUCIPHA é do caraleo ! \o

Anônimo disse...

essse nome tem aver com crucificaçao de alguem ou de algo ?

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