15 de fev de 2013

Entrevista: a personalidade de Wigand Diener


Nossa primeira entrevista de 2013 é com um músico de carteirinha, Wigand Diener que entre os vários projetos é organizador do Müsik Manifest, que tem acontecido aos domingos no Mondo Birre. Confira o papo:

Vito Cuneo - Primeiramente obrigado por atender o Arquivo Metal CWB. Então, Wigand é seu nome próprio e nome de sua banda? Melhor começar nosso papo com uma auto apresentação, pode ser?

Wigand Diener: Sou eu quem agradece. É muito legal poder participar de uma idéia pró-ativa como a de vocês. Como dizia uma propaganda dos anos 90, do extinto Banco Bamerindus: Arquivo Metal CWB ''é gente que faz!''. E é disso que precisamos para movimentar a cena nos tempos atuais.

Quanto ao nome, muito oportuna a pergunta!
Wigand é meu nome pessoal. Muitas pessoas me conhecem como ''Wigando", pois quando minha família (de origem germano - norueguesa) chegou ao Brasil, a força criativa da nossa imigração e do sistema registral da época fez a gentileza de ''abrasileirar'' o nome.

Como não pude, mais uma vez em razão da nossa pitoresca legislação, retomar juridicamente a grafia original, resolvi corrigir essa gafe artisticamente. Portanto, WIGAND é um cantor! Várias vezes passei o ''constrangimento'' de ''ser'' uma banda! (risos)

VC - Como surgiu o Müsik Manifest? Pelas minhas contas já ocorreu a 20º edição, correto?

WD: A idéia original é do Luciano Teles, baterista da SEX MACHINE. Ele me telefonou numa tediosa tarde de domingo e expôs a idéia, que muito me agradou. Na sua concepção, o evento seria feito com 2 bandas autorais, e uma cover. Batizou de CWB ROCK SUNDAY e fizemos uma edição comigo, Ventrenévoa (da qual ele era baterista na época) e DR. Jokker.
Aconteceu no Mondo Birre, onde ele tinha o comando do domingo, e foi surpreendente colocar + de 100 pessoas lá, numa noite chuvosa. Infelizmente, tivemos um desentendimento de ordem pessoal logo após o evento, e tomei por decisão abandonar o projeto, desejando-lhe boa sorte. Contudo, passados alguns meses a gerência do Mondo entrou em contato com a Diener Records (meu selo independente), propondo dar continuidade à idéia, já que o Luciano havia encerrado suas atividades para com eles. De pronto aceitei, queimei um fosfato para bolar o nome MÜSIK MANIFEST, e de imediato meu guitarrista, Gus Piasecki, apareceu com a logo. Feito isto, decidi que o formato seria exclusivamente autoral, colocando o ''Movimento Autoral'' abaixo da dita, como se pode reparar nos cartazes do evento.

VC - Parabéns pela iniciativa, fazer rock / metal com bandas de som próprio no Batel, tem que ser muito inteligente e corajoso. Como esta a aceitação do publico, tem sucesso?

WD: Inauguramos em 26.08.2012 com os amigos da Paranoika (o Müsik Manifest tem como requisito o aspecto autoral, independentemente do estilo), e de lá a coisa foi crescendo surpreendentemente. Completamos, no momento que escrevo esta entrevista, 23 Edições ininterruptas, tendo passado pelo palco várias bandas, em variados estilos, sempre com muito boa aceitação, já que os frequentadores do evento sabem por quê estão lá! E isso, sem dúvida, é muito gratificante. O que me deixou perplexo, entretanto, foi a postura de alguns ''fãs'' de bandas mais pesadas que se apresentaram no evento, deixando de ir prestigiá-las por se tratar de ''bar de plaboy''. Primeiro: fã ? Que espécie de fã é essa ? Em segundo lugar, qual o problema  em você ser bem atendido, num lugar agradável, com palco e iluminação legal, equipamento de acordo com a dignidade do músico, podendo este receber seus convidados com boa comida, bebida legítima e um banheiro onde nossas mulheres não correm risco de contrair infecção genital ? Por favor, né, minha gente...
Agradeço os adjetivos ''corajoso e inteligente'', mas não há segredo algum quando há um concurso de pessoas que acreditam em algo, e contigo colaboram para o sucesso de uma idéia. Toda idéia tem opositores, por óbvio. Mas isso nunca deve obstar a marcha do progresso, que tem como norte tão somente vontade e ação. Simples assim.

VC - Como é o processo de seleção das bandas? Basta apenas fazer som próprio?
WD: O requisito principal sem dúvida é possuir som próprio, com autonomia para 1h de show, no mínimo. Liberamos que a banda faça 20% do show com versões exclusivas. Elas entram em contato com a Diener Records pelo Facebook, enviam seu material e por incrível que pareça, até hoje apenas UMA banda não tinha condições de se apresentar, em respeito aos ouvidos dos frequentadores. Quero aproveitar a oportunidade para ressaltar que fiquei muito satisfeito com a qualidade excepcional das bandas que temos aqui. Curitiba é uma usina de excelentes compositores e de bandas com uma superioridade técnica que em nada deve para o estrangeiro! Além do fato de que o evento não movimentou só músicos, mas toda uma gama de artistas, como a Najla Korny e a Tai Bastos na fotografia, o Alceste Ribas, Liryan e o Mário Oliveira (do projeto Tenda), bem como o Arthur Malária Paludetto nas filmagens, o Gustavo Felipe Ribeiro que habilmente confeccionou a bandeira do Müsik Manifest, e toda a galera que por via obliqua acaba ajudando à sua maneira. Sem falar nos amigos que nos honram com suas presenças desde o início (costumo chamá-los de ''sócios do Müsik''), numa fidelidade que emociona.

VC - Eu também tenho essa visão sobre a cena curitibana, que temos aqui, como você mesmo definiu, uma "usina de excelentes compositores e de bandas" e também considero o eventos como o Müsik Manifest uma ótima vitrine para as bandas que se empenham em fazer som próprio. Recentemente um novo evento surgiu, SMASHES THRASHES & HITS, que abrange bandas autorais com versões e tributos. Qual a sua opinião sobre isso?

WD: Fico feliz que já tenha repercutido mesmo antes da 1.a Edição. Criei este projeto, com o auxílio do meu grande amigo Gabriel Canoro (baixista da Livin Garden e verdadeiro ''Soldado do Rock''), para acabar de vez com aquele papo insuportável sobre a rixa entre ''cover X autoral''. Temos lido muita besteira, escrita por ''intelectuais e teóricos de Facebook''. Nos causou tanta náusea, que resolvemos dar um fim à esta celeuma e calar a boca dos chatos com menos conversa e mais atitude. Está aí o que todo mundo queria: um evento misto, onde não há segregação e sim agregação. Porventura somar virtudes não é mais inteligente que excluir benefícios?Portanto esta aí. Agora só falta o pessoal prestigiar a 1º Edição no The Pub (mais um bar do Batel democratizando o Rock), dia 15/02, e parar de ficar escrevendo bobagem.

Criamos também, no mesmo local, o Projeto ACUSTIQUINTAS onde, como o próprio nome diz, às quintas - feiras todos que tiverem projetos acústicos de ordem autoral ou versões, também podem se apresentar neste formato. Preciso, não obstante, fazer uma denúncia e um apelo: na região do Batel, precisamente no ''boulevard'', há uma máfia que monopoliza os bares e, consequentemente, tem o poder de coagir suas bandas residentes à não tocar em eventos paralelos, que concorrem e vão de encontro aos interesses dessa turma. De cara já quase sofremos uma baixa em razão desta patifaria. Portanto, colegas músicos, entendemos algumas necessidades, mas só a união combaterá essa prática infame. Devemos e PODEMOS, mostrar para os donos de bares que ELES PRECISAM DE NÓS, e não o contrário! Porém, se você se deixa vender e dominar... sinto muito. Bruna Surfistinha manda lembranças às colegas. Nós, por outro lado, estamos fazendo a diferença.

VC - Outro projeto que você mantém é a "Diener Records", como funciona? É uma gravadora ou produtora?

WD: É um misto de ambos. Fundei a Diener Records para atuar tanto como selo, como produtora. É 100% independente, e promovemos gravações multimídia (áudio e vídeo), além de eventos co-ligados para divulgação.

VC - Voltando a falar da banda, Wigand, quais temas a banda abrange em suas composições e do que se tratam as letras?

WD: Quem fizer a gentileza de adquirir o meu álbum ''debut'', DOPAMINERGIC OVERDRIVE (que é um apanhado da minha carreira entre 1992 e 2012, e costumo brincar que sou o único na história da música a lançar um ''Greatest Hits'' sem nunca ter lançado um Hit sequer!), vai perceber que a temática predominante versa sobre as mudanças de humor em face dos conflitos da vida, concluindo que se formos felizes o tempo todo, rapidamente vamos esquecer o que a felicidade realmente é. Tem amor, vícios, espiritualidade (fé e falta de fé), sexo, obsessão, redenção... Quer mais? No Livretto do cd tem tudo! Aliás, uma edição Deluxe em DigiPack que ficou linda de se ver...

VC - Quais as influências e como vocês definem o som da banda?

WD: Whitesnake na fase Ready An' Willing/Come And Get It/Slide It In, Glenn Hughes, Kiss, Deep Purple na era Coverdale, Dio... Tudo isso misturado com elementos Orientais, Ciganos e de Umbanda Afro - Indígena, como se pode reparar na variedade de instrumentos inusitados que usei no álbum.Defino a banda, portanto, como uma banda de Rock com coração aberto e sem compromisso com quaisquer amarras.

VC - Vocês usam o metal como profissão ou apenas diversão?

WD: Eu me afastei da advocacia para me dedicar exclusivamente à música, porém sem deixar de estudar o que muito nos interessa, que é o Direito Autoral, no que estou me especializando com o apoio do Paulo Juk da Abramus e do próprio Ecad, que muito longe do que se pinta por aí, é uma instituição que zela, sim e ainda, pelo direito dos artistas. Portanto, não estou focado só em cantar, mas também em trabalhar com todos esses aspectos que circundam a arte, como a promoção de eventos e a defesa dos compositores perante as instituições. Tudo isso com otimismo, alegria e vontade de lutar. Cada desafio é uma lição a ser aprendida. Ganho menos, mas sou mais feliz.

VC - Como foi o show de lançamento no Jokers? Vocês pretendem lançar algum registro desse evento?

WD: Foi ótimo. Muitos elogios, inclusive de pessoas que não tem ligação com o Rock, que curtem estilos mais populares, mas foram no evento por convites de amigos e conhecidos em comum. É muito bom ouvir de uma pessoa que jamais tivera contato com o estilo, que ela dali para frente quer sempre ser convidada para os próximos. Uma curiosidade é que foi o último show onde foi liberado o uso de fogos ''indoor'', dada a tragédia ocorrida no dia seguinte, no Rio Grande do Sul.


Cabe aqui uma ressalva: no nosso evento, tivemos a devida autorização do Corpo de Bombeiros e a instalação totalmente de acordo com as normas vigentes, além de ter contratado empresa idônea para tanto.
Sendo assim, não é porque houve uma barbeiragem irresponsável por parte daquele cidadão que disparou um sinalizador no Sonex do teto à uma distância de 2 metros, que deva prevalecer a paranóia incutida na mente fraca dos que acreditam em tudo que a mídia dopa, juntamente com a demonização de qualquer pirotecnia usada responsavelmente nos espetáculos. Houve, portanto, um retrocesso e uma falsa perspectiva sobre o assunto. E mais uma vez não faltam ''teóricos e Phd's'' para dar sua ''inteligente'' opinião.

Dito isso, usamos também uma chuva de SkyPaper (a influência do Kiss nessa hora foi inegável!) de quase 1 minuto. Foi muito bonito, e registramos tudo para o DVD WIGAND LIVE, que juntamente com o WIGAND UNPLUGGED (gravado no Projeto Tenda), será lançado ainda neste 1º semestre.


VC - Como vocês fazem a divulgação da banda?

WD: Internet, cartazes, flyers e sistema postal. Além do ''boca à boca'', é claro: ''E aí, Gata? Curte um Rock ?''  (risos)

VC - Como esta a agenda da banda? Qual será a próxima apresentação da banda ?

WD: Depois de um janeiro beeeeeeeem agitado, (na última semana fizemos 5 shows: Praça Espanha, Müsik Manifest, Rock Solidário, Lançamento no Jokers e + um Müsik), resolvemos dar um tempo para descansar e darmos início à pré-produção do próximo álbum (notícia exclusiva em primeira mão para o Arquivo Metal CWB), que se chamará THE WINE OF THE DEAD, que pretendo lançar no 2º semestre. Porém, como inventamos este novo projeto (SMASHES, THRASHES & HITS), vamos inaugurá-lo dia 15/02 no The Pub, conforme coloquei ali em cima, junto com Livin Garden e Rock Attack, e vamos fazer uma temporada de 1 mês para o evento pegar firme, como fizemos com o Müsik Manifest, que agora deixo exclusivamente para as bandas convidadas. Falando nisso, acreditam que muitas vezes alguns fãs de bandas que se apresentaram conosco deixaram de vê-las porque eu estava me apresentando junto? Justificativa: ''Este Wigand é um Poser!'' Puxa, que novidade! Então, para evitar que algumas bandas sejam prejudicadas porque sou Poser, vamos nos afastar por um tempinho.. (risos) Portanto, essa é nossa agenda para fevereiro e março. Pretendo reservar abril e maio para alguns shows no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, onde só falta acertar algun$ detalhe$.

VC - Interessante você citar esse termo poser, as vezes isso soa como critica pela critica. Com as bandas de Curitiba, rola alguma parceria em shows e viagens? Quais bandas vocês tem mais contato?

WD: Com certeza, e essa foi a fórmula do Müsik Manifest. Através do projeto conheci muitas pessoas bacanas e o mais interessante foi que, através dele, muitas rusgas e más impressões que haviam entre pessoas  que não se conheciam direito foram sepultadas. E isso se comprovou no Rock Solidário (evento beneficente idealizado pelo grande cantor Rodriggo Vivazz, meu ídolo local).  A convivência contínua acabou com o ''tititi'' entre bandas, o que só traz prejuízo. Os colegas acabaram se acertando e vi surgir grandes amizades que vinham de mútua antipatia. Várias bandas são parceiras, como o Rick Shadow, Human Nature, Seven Side Diamond, Brave Heart, e Rusty Rail, mas a Livin Garden e Wild Child são, por que não dizer, basilares do Müsik Manifest, já que abraçaram o projeto desde o início e sempre estão juntas para ajudar, seja na riqueza ou na pobreza! (risos)

VC - Chegamos ao final da entrevista, agradecemos muito a atenção e esperamos que mais oportunidades venham a  surgir com esses novos trabalhos de vocês! Deixe suas ultimas considerações para os leitores do Arquivo Metal CWB, e o contato pra galera conhecer o som da banda!

WD: Mais uma vez sou eu quem agradece e gostaria somente de deixar como mensagem final a frase de autoria do grande baterista Deni ''T'':

''CUIDE DE SUA SAÚDE CULTURAL, PRESTIGIANDO A CENA LOCAL!''

Um abraço à todos os leitores e vos aguardamos nos shows!
Contato: Diener Records

4 comentários:

Anônimo disse...

Muiiiiiiiiiiiito bem dito!! Muiiiiiiiiiiito bom, mesmo!! Parabéns e muuuuuuuuuiiiiiiiiiito sucesso Wi!! .. sou super fã do seu trabalho!! :*

Adriana disse...

muito boa !!adorei essa entrevista Wigand tem muito talento , estrada e iniciativa...é de pessoas e de blogs assim que cena local Curitibana precisa ,com ótimos musicos de nivel Internacional mesmo!!precisam divulgar, agir e se unir para atravessar fronteiras!!!
Adriana Ferraz.

Nicoli Ferrari disse...
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Vito Cuneo disse...

Esse é um canal democrático com intuito de unir a cena rock curitibana, porem não aceitamos ofensas como essa por exemplo. Respeito é mercadoria de troca, não queremos e não podemos ser veiculo entre as partes. Sra. Nicoli Ferrari, seu comentário é importuno e sera deletado.

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