20 de jun de 2013

Entrevista: True

Já que estamos devendo entrevistas em 2013, vamos conversar com uma das principais bandas de Thrash Metal de Curitiba: True  - que tem muitas novidades pra galera. Primeiramente quero agradecer a participação da banda com a entrevista para o Arquivo Metal CWB e pedir desculpas aos nossos leitores por esse período ausente com as bandas da nossa cidade.

Vito Cuneo - True é uma das bandas mais antigas da cidade, sempre leva público quando fazem algum show por aqui. São quantos anos na cena? Para começar, conte um pouco sobre a história da banda.

Marcelo: Hoje a banda já tem 7 anos de estrada, eu formei a banda em 2006, depois de 2 anos afastado da cena, na primeira formação eu chamei o meu irmão Maicow e o Rafael Bastos que já tocavam comigo no Anachronoz, nesse mesmo ano fizemos alguns shows e no final do mesmo ano já tivemos uma baixa, meu irmão saiu e no seu lugar entrou o Anderson que abraçou o projeto comigo.

VC - Quanto tempo a banda tem essa formação? E como foi essa adaptação?

Marcelo: A formação atual tem 1 ano, o ultimo a entrar foi o Marcos em Junho/2012, após a nossa apresentação no Marrecos Fest em Brasília, uns 4 meses antes foi o Felipe que entrou, bem na época da finalização do nosso CD. A adaptação foi muito tranquila, no caso do Felipe ele nos ajudou na finalização do CD e com apenas alguns ensaios e sem conhecer o Anderson, fizemos o 1º show de lançamento do CD em Ferraz de Vasconcelos/SP, foi massa e parecia que a gente se conhecia a anos. No caso do Marcos só foi o tempo dele comprar um guitarra começar a ensaiar, ele acompanhou a banda desde o começo, conhecia todas as músicas, sempre nos ajudou com o nosso material gráfico, acho que não tinha pessoa mais capacitada que ele.

VC - Como é o processo de composição? Quais são as influências de vocês?

Marcelo: Como o Anderson mora em Brasília, esse processo é um pouco mais lento, no caso do Riders Of Doom a gente fez as letras trocando ideia pela internet mesmo, fui fazendo alguns riffs e quando ele veio pra Curitiba, uma semana antes de iniciar as gravações do CD, ficamos 3 dias (3 horas por dia) em estúdio finalizando as músicas e gravando as guias do CD. Agora no segundo semestre vamos dar inicio na pré do novo CD, já temos uma ideia de como vamos fazer, mas não sabemos como vai soar.
E sobre as influências cara, cada um da banda tem sua particularidade, desde rock até black metal, se formos pegar o que cada integrante curte, certamente passamos por quase todos os sub-gêneros do metal. E é por isso inclusive que às vezes é difícil rotular nosso som, apesar de normalmente divulgarmos como Thrash / Death Metal, quando alguém nos pergunta "parece com que banda?" é difícil achar alguma referência muito próxima. Mas como algo em comum à todos, e pra não nos estendermos muito, podemos citar certamente Slayer e Sepultura, pra simplificar.

VC  - Essa era a minha próxima pergunta.. Houve um período em que o batera Anderson não estava em Curitiba, isso resultou em algum atraso pra banda? Como foi esse período?


Anderson: Na real o eu atualmente ainda estou morando em Brasília (desde o início de 2010), ou seja, logo antes de começarmos as prés do Riders of Doom. É claro que a distância dificulta um pouco, temos que ensaiar separadamente, o processo de composição que era sempre em jams nos ensaios também foi afetado, além da realização de shows, pois a minha passagem aérea encarece o cachê, então a dificuldade em fechar datas é um pouco maior, mas ironicamente, esse período que estou em Brasília foi até agora o mais produtivo da banda, conseguimos o contrato com uma gravadora, lançamos o debut com distribuição nacional, tocamos em grandes festivais ao lado de grandes nomes nacionais e internacionais, e agora finalizamos nosso primeiro clipe. Enfim, há males que vem para o bem.

VC - Como foi a produção do vídeo clipe da musica “Forget In Hatred”? Conte como foi a experiência?

Felipe: A primeira ideia pra produção do clipe era fazer algo simples, que pudesse ser feito em pouco tempo e com poucos recursos. Foram alguns meses de pesquisa de influências para chegar na ideia que eu queria.

Definido como ia ser a estrutura do clipe, o maior desafio era como não deixar ele sendo apenas 'mais do mesmo'. Então, pensei em algo que combinasse com a identidade visual e sonora do nosso cd, a solução foi trabalhar muito com a fotografia do clipe pra dar essa atmosfera densa.

Aproveitei minha formação em Rádio e TV pra encarar esse desafio praticamente sozinho, tecnicamente falando. Tive ajuda na pós produção e como cinegrafista, do meu colega de profissão, Igor Alencastro. Ele captou bem a ideia na hora das gravações e me deu uma ajuda fenomenal durante a montagem e correção de cor. Lógico que a gente teve problemas, e pra caralho, mas o que importa é que a experiência foi sensacional, e foi muito gratificante ver que a galera deixando uma boa resposta através dos comentários no Youtube e Facebook.

VC - Ainda é cedo, mas já tiveram algum retorno com esse material?

Anderson: O retorno está sendo muito positivo, as críticas estão sendo ótimas, já estamos praticamente com 2 mil visualizações em menos de 10 dias no ar (o que para uma banda underground é um número expressivo), Ele passa diariamente na programação da CWB TV, canal comunitário de Curitiba, e também estamos negociando para que o clipe vá ao ar em programas especializados.

VC - Vocês usam o metal como profissão ou apenas diversão?

Anderson: Temos o metal como diversão, mas além disso fazemos pela ideologia, porque curtimos mesmo, e achamos que vale a pena o esforço para manter e melhorar a qualidade do que curtimos. Não conseguimos ganhar dinheiro com isso, e nem algumas bandas consagradas conseguem... (Já vi entrevistas da vocalista do Arch Enemy, por exemplo, dizendo que é difícil sobreviver da banda, alem de bandas nacionais mesmo que só sobrevivem como músicos porque dão aula, ou tem estúdio, ou são produtores, enfim) Não temos essa ilusão de que um dia seremos rockstars, fazemos porque é massa mesmo e porque gostamos.

VC - Além do True, Marcelo tem uma produtora, certo? Como você divide seu tempo com essas atividades?

Marcelo: No final de 2009 tivemos problemas com a assessoria de imprensa que contratamos, então resolvi montar a nossa, evitando custos, com mais qualidade e maior exposição da banda na mídia. A idéia funcionou e eu estendi esse serviços para outras bandas, mas por causa da faculdade e trabalho tive que deixar de lado a assessoria, passamos essa responsabilidade a outra empresa. Com isso  mudei o foco para um blog que postava as news enviadas pelas diversas assessorias que temos no Brasil, mas o blog também está a um tempo sem atualizar e ao menos por hora não tenho interesse em reativar esse projeto.

VC - Como vocês fazem a divulgação da banda?

Anderson: Temos uma parceria com a Sunset Metal Press (Ellen Maris), que nos apóia bastante e que nos ajudou a conseguir vários contatos, e abrir portas. Além disso nós fazemos a correria individualmente, através de redes sociais, buscando contatos para shows, enviando cds para resenhas, e etc.

VC - E gravações, musicas novas, shows.. qual é o plano da banda para o restante de 2013?

Marcelo: Nesse restante de 2013 vamos iniciar a pré do novo CD, ainda não sabemos como vai soar esse material, mas pelo line up atual tenho certeza que vai ficar foda. Além da pré vamos dar sequência a nossa agenda de shows, que conta com apenas 2 datas no segundo semestre para evitar conflitos com a nossa agenda pessoal e profissional, divulgação do nosso som e principalmente do clipe nas próximas semanas.

VC - Como esta a agenda da banda? Qual será a próxima apresentação?

Marcelo: Nesse ano conseguimos fechar shows somente em Santa Catarina, tocamos e tocaremos em grandes festivais e cidades que ainda não tínhamos tocado. Nesse ano ainda temos mais 2 shows para realizar, o próximo será no River Rock em Indaial/SC.

VC - Como vocês veem a cena Metal de Curitiba? Vocês acham que existe união ou ainda existe competição e rivalidade entre bandas?

Anderson: Cara, a cena metal de Curitiba ao meu ver continua sendo promissora, tem potencial pra caralho, bandas de qualidade, e que estão se preocupando cada vez mais em profissionalizar o trampo, mas o lance da competição e rivalidade ainda é muito visível, e prejudica muito o desenvolvimento. Cada banda quer defender seu nome, ou estilo, e não liga muito pro fortalecimento do todo. E um grande problema da cena da cidade também tem sido parte do público. Aquela velha história, que a galera prefere pagar 20, 30 mangos pra ver show de 'fulanos cover' do que pagar 10 pila em um festival com 4, 5 bandas de som próprio, ou pagar 10, 15 conto em cd de banda de som próprio, enfim... ainda temos problemas a serem resolvidos.

VC - E com as bandas de Curitiba, rola alguma parceria em shows e essas viagens, que você já mencionou? Quais bandas vocês tem mais contato?

Anderson: Cara rola sim, temos várias bandas que são brothers, até porque conhecemos muita gente, mas achamos que as mais próximas são a Khrophus (SC) e o Cromathia. Com o Cromathia já fizemos alguns shows juntos e sempre que possível a gente indica os caras para os organizadores. Já os caras da Khrophus nos ajudaram muito a entrar no circuito de SC, o que foi uma grande conquista pra gente.


VC- Chegamos ao final da entrevista, agradecemos muito a atenção e esperamos que mais oportunidades venham a  surgir com esse novo trabalho de vocês! Deixem suas ultimas considerações para os leitores do Arquivo Metal CWB, e o contato pra galera conhecer o som da banda!

True: Queremos agradecer à todos pelo apoio, por ter se interessado pela nossa entrevista, em especial à galera que está comprando nosso cd (temos pedidos do Brasil todo), à galera que tem comparecido nos nossos shows, comprado nossa cerveja, a TRUE BLACK IPA (que sempre está à venda nos shows), que tem nos ajudado divulgando a banda, curtindo a fan page, compartilhando nosso clipe, e também à vocês pelo espaço e pelo apoio.

Um comentário:

franciele da silva disse...

o/ adoro a banda presença confirmada no river rock.

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