1 de out de 2013

Review de show: Iron Maiden, Slayer e Ghost (Bioparque - 24/09/2013)

"Infelizmente, hoje em dia é muito difícil surpreender as pessoas porque assim que você faz o primeiro show de uma turnê todo mundo o assiste na internet (risos). Mas, de qualquer forma, assistir em casa não é nem de longe a mesma coisa que estar lá, ainda que você veja o mesmo show. Você pode assistir quantas vezes quiser no Youtube, mas, no final das contas, não é a mesma coisa que estar lá." (Steve Harris, em entrevista ao portal G1 durante o Rock in Rio 2013)


Na última terça-feira (24/09) Curitiba teve o privilégio de receber mais uma vez a veterana banda britânica IRON MAIDEN. E dessa vez com o bônus de na mesma noite outras duas bandas de renome: os Thrashers lendários do SLAYER e a banda novata GHOST e todo o seu misticismo. Praticamente um "mini Rock in Rio". Quem não pode estar presente na Cidade do Rock alguns dias antes, a noite em Curitiba prometia algo próximo com as 3 bandas que foram atrações do palco principal do festival.

Mas as semelhanças ficam por aí. Enquanto na capital carioca o evento aconteceu sob um clima agradável, na capital paranaense o típico frio curitibano deu o ar da graça. Por sorte não choveu, mas o vento gelado foi um obstáculo a mais para os fãs, alguns deles desde muito cedo na fila para conseguir um bom lugar. Ou melhor dizendo: APENAS mais um mero obstáculo.

Entrei pouco mais das 16h, muita gente na fila e outras tantas já estavam do lado de dentro. O tempo foi passando e minha impressão sobre as pistas Premium e Normal me surpreenderam: a primeira aparentava ter bem mais gente. Não sei se isso é bom ou ruim, pois se por um lado temos um público fiel, que paga caro pra ver um espetáculo que gosta, por outro vemos uma tendência até certo ponto elitista, o que abre precedentes para a prática de preços cada vez mais abusivos. Mas enfim, isso aqui não é um case visando mostrar o comportamento do consumidor Headbanger, e sim um review de show, então... vamos ao que interessa.

GHOST: alguns minutos antes do horário esperado (18:30h) entra o playback de "Infestissumam", faixa de abertura do mais recente álbum dos suecos do Ghost. As reações do público em volta eram diversas, desde os que não conheciam a banda, passando pelos que só ouviram uma música ou outra até aqueles que sabiam cantar todas as letras. No final o resultado foi positivo: a apresentação agradou o público como um todo, sem vaias ou hostilizações do tipo, como aconteceu em outros shows da banda no Brasil. Comandados pelo enigmático "Papa Emeritus II", a banda fez uma apresentação muito competente. Com guitarras de certa maneira pesadas, eles surpreenderam os desavisados que esperavam um show monótono com músicas intensas e uma presença de palco cheia de teatralidade e aura ocultista. "Per Aspera ad Inferi", "Con Clavi Con Dio", "Prime Mover", "Stand by Him", "Year Zero", "Ritual" e a bela "Monstrance Clock" foram as músicas tocadas (senti por não tocarem "Secular Haze" e principalmente "Ghuleh - Zombie Queen", minha preferida deles). Set reduzido em relação ao do Rock in Rio (40 minutos de show), mas o suficiente para apresentar o fantasma ao público curitibano.





SLAYER: ao ser desfraldado o pano de fundo com a logo do Slayer a expectativa tomou conta, pelo menos de mim. Em pouco tempo começaria a apresentação de uma das bandas mais brutais de todos os tempos. Já tinha visto show dos caras, mas o sentimento era de como se fosse a primeira vez. Por volta das 19:40h "World Painted Blood" abre os trabalhos como uma avalanche sonora. O som aparentemente um pouco embolado foi o de menos naquele momento, pois o massacre se iniciava. Achei a plateia um pouco morna (em se tratando de um show do Slayer), mas nem importava tanto, a banda mandou ver assim mesmo. Tom Araya com um vocal ainda competentíssimo (e surpreendido com o frio curitibano), Kerry King sempre bangeando como um maluco, Paul Bostaph suprindo com maestria Dave Lombardo e Gary Holt... tive o privilégio de, como no show anterior, ficar na frente do cara e, como naquela ocasião, mais uma vez o homem foi monstruoso, tanto tecnicamente quanto em presença de palco, excelente. "Disciple", "War Ensemble", "Mandatory Suicide", "Hallowed Point", "Dead Skin Mask", "Hate Worldwide", "Seasons in the Abyss", uma pedrada na sequência da outra. A tradicional homenagem a Jeff Hanneman, que vem sendo feita na atual tour, emocionou muita gente com as imagens de Jeff no telão, bem como a logo da Heinecken com dizeres homenageando-o, enquanto a banda desfilava a trinca matadora "South of Heaven", "Raining Blood" e "Angel of Death", todas de autoria de Hanneman. E o já popular "Tom Araya Scream" do vocalista na entrada de Angel of Death mostrou porque o cara é o melhor vocal do Big 4 (na minha humilde opinião, claro). Cortaram 2 músicas em relação ao set do Rock in Rio, mas foram 50 minutos brutais.





IRON MAIDEN: a frase dita por Steve Harris no início deste review é, basicamente, uma síntese do que foi mais um show do Iron Maiden. Com certeza a maioria dos fãs presentes (eu incluso) já sabia de cor e salteado quais as músicas, quais os movimentos, em quais momentos Bruce mandaria o famoso "Scream For Me Curitiba" (embora dessa vez mais contido pelo fato do "air siren" estar com um leve resfriado), quando Eddie entraria no palco. A maioria já devia ter visto pela TV a apresentação no Rock in Rio, mas cara... é um show ao vivo. E estar ali, presenciando e sentindo a aura de uma das maiores bandas de todos os tempos - parafraseando a empresa de cartão de crédito - não tem preço. E por mais óbvio que seja um show do Iron Maiden, só o caboclo indo pra saber o que é aquilo.



21h entra o já manjado prenúncio do show, a clássica "Doctor, Doctor" do UFO no som mecânico. Ali todos já sabiam que o Maiden vinha aí. E veio apresentando um grande tema de abertura no telão com uma ópera (vou ficar devendo o nome) seguida de "Moonchild". Pra falar da apresentação em si é necessário citar todos os aspectos: visual (a beleza do cenário, produção de palco - enfatizando o álbum "Seventh Son of a Seventh Son"), performance técnica individual de cada integrante, desde Bruce Dickinson sempre perfeito, o trio afiado de guitarristas, o  enérgico Harris, o Nicko competente, as parafernálias pirotécnicas usadas como nunca em uma tour da banda (fogo, faíscas, 2 Eddies), as performances teatrais em cada música, a sincronia perfeita de todos os elementos, as palhaçadas do Janick, enfim, a complexidade de uma apresentação do Maiden renderia páginas e páginas descrevendo. Para tanto vou focar apenas nos pontos mais destacados do show.



A Maiden England tour tem como base o álbum Seventh Son of a Seventh Son, do qual foram tocadas, além de "Moonchild", "Can I Play with Madness", "Seventh Son of a Seventh Son", "The Clairvoyant" e "The Evil That Men Do". A faixa título do álbum foi o grande ápice do show, música longa com mudanças de andamento e de velocidade, além de um desencadeamento épico que deu uma grandiosidade única ao vivo. Momento simplesmente fantástico! Mesmo deslocadas do set original, "Afraid to Shoot Strangers" e "Fear of the Dark" foram celebradas, especialmente a primeira que é raramente tocada pela banda. "Phantom of the Opera" foi outra muito comemorada por não ser muito habitual nos sets recentes. Agitação habitual nas demais clássicas "The Prisoner", "2 Minutes to Midnight", "The Trooper", "The Number of the Beast", "Run to the Hills", "Wasted Years", "Iron Maiden", "Aces High" (com direito à Churchill's Speech, relembrando a inesquecível Somewhere Back in Time Tour) e fechando com "Running Free". 1h 50 minutos, mesmo set completo de toda a tour.



Falando especificamente do palco do show: o Bioparque, apesar de ser um local afastado, me pareceu com boa estrutura e pode ser uma alternativa interessante para futuros shows na nossa capital. A Prefeitura de Curitiba também mostrou uma boa iniciativa ao ceder transporte coletivo gratuitamente, tanto na ida quanto na volta (na volta demorou um pouquinho, mas chegou), o que minimizou as dificuldades de acesso. Único porém foi na saída, com um único portão para cada pista sendo que os portões são muito pequenos, dificultando a saída. Não tenho conhecimento suficiente para avaliar, mas é bom o Corpo de Bombeiros ficar atento quanto a isso. A acústica do local também me pareceu boa, não sei mais afastado como estava o som, onde eu estava era bom. No mais o saldo é positivo, inclusive destaque para a organização da XYZ Live que conduziu o evento tranquilamente e sem mais problemas. 

Meu terceiro show do Maiden, segundo do Slayer e primeiro do Ghost. Três bandas que recomendo ir a um show. Se tiver a oportunidade de ir e estiver em dúvida, volte ao início deste review e siga o mandamento do Steve. O cara sabe das coisas...

Agradecimentos à Gabriela Buch por ceder as fotos para o review ;)

5 comentários:

Priscila Duarte disse...

Muito massa! Adorei tb o show e a matéria Jean! Bora ver os próximos shows! E que venha BLACK SABBATH em Porto Alegre, RS!! :)

Anônimo disse...

Muito bom Jean, cara, resumiu tudo muito bem, legal a iniciativa da prefeitura com o transporte gratuito das pessoas que foram ao show, as fotos em preto e branco deram uma atmosfera bem interessante a sua matéria, parabéns.

Abraço

Snow

Anônimo disse...

Valeu Jean. Gostei da resenha!

Kariel

Flávio disse...

Bela resenha Jean. Só lamento que eles não tenham vindo a Porto Alegre desta vez.

Flávio

Anônimo disse...

Ótima resenha, Jean!
Só faltou uma foto dos monstrinhos...

JMK

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