11 de mar de 2014

Cine Metal: heavy metal globalizado

O documentário do antropólogo Sam Dunn e Scot McFadyen é resultado de uma viagem por vários países na busca por informações que comprovem que o Heavy Metal é um gênero musical difundido mundialmente. O trabalho consistiu em visitar quase todos os continentes em busca de relatos de fãs, músicos, produtores e jornalistas e é o desdobramento de um outro trabalho de Dunn, o longa "Metal: jornada de um headbanger", no qual ele aborda os principais festivais de heavy metal do mundo.

Apresentando o documentário, Dunn mostra a origem do heavy metal a partir de entrevistas com praticamente todos os principais nomes da música pesada. Ele aponta a relação dos músicos de bandas como Black Sabbath, Depp Purple e Blue Cheer com com as classes trabalhadoras da Inglaterra e dos Estados Unidos. Além disso, é possível identificar um esquema genealógico que aponta as influências e ramificações do heavy metal e seus subgêneros.

Outro elemento presente em Global Metal é a identificação de uma cultura própria de caráter mundial, mas reconhecidamente underground. A expressão desse movimento não se manifestaria apenas na música, mas nas formas de se vestir e na visão de mundo crítica dos que fazem parte dessa comunidade mundial. Nesse sentido, a maior parte dos fãs do gênero encontram no heavy metal uma forma de expressão e de protesto.

É que ele conclui, por exemplo, quando fala do Brasil. A emergência do movimento estaria diretamente ligado ao fim da ditadura militar, em 1985, com a realização do primeiro Rock in Rio, e o surgimento de bandas como Sepultura. A mesma relação subversiva é encontrada em outros países como China, Índia, Indonésia e Emirados Árabes. A exceção fica por conta dos japoneses e israelenses onde a música parece ser admirada muito mais pelo seu caráter meramente estético do que político.

Por outro lado, o documentário fala pouco sobre o gigantesco negócio do mundo da música e das cifras que são geradas. Sem abordar o papel exercido pelas gravadoras e suas relações com os meios de comunicação, ao falar em um manifestação cultural global, o documentária acaba deixando e lado uma das hipóteses possíveis a serem confirmadas. Por ser fã das bandas, Dunn pode ter deixado aflorar o aspecto emocional no trabalho, o que transmite certo romantismo sobre o heavy metal, sem considerar o papel exercido pela indústria cultural e a massificação de um produto como a música carregada de atitude subversiva, por mais contraditório que possa parecer.

De todo modo, este é um filme indispensável para qualquer fã do gênero, pesquisador, jornalista e produtor.


Ficha técnica:
Título: Global Metal (Original)
Ano produção: 2008
Direção: Sam Dunn e Scot McFadyen
Gênero: Documentário
País: Canadá



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