15 de jun de 2010

Bandas do Tribute to Metal falam da cena curitibana

Por Vito Cuneo e Guilherme Carvalho

Na noite de 11 de junho, rolou o Tribute to Metal XI, com as bandas Last Supper (Black Sabbath), Terrorzone (mais covers do Sepultura) e Diableros (Brujeria). A baixa da noite foi a ausência do Sacredeath (que faria alguns covers do Iced Earth) e com a qual não conseguimos contato. Dessa vez, resolvemos fazer um trabalho diferente, seguindo a ideia da matéria especial de junho, sobre a cena metal de Curitiba, conversamos com as bandas sobre o mesmo tema. Então, tivemos um trabalho duplo; conferir como rolou o show de cada uma e conhecer mais um pouco sobre elas através da opinião do tema proposto.

Bom, vamos ao que interessa: Noite fria, de garoa fina e o Blood Rock Bar estava cheio. Parece mentira, mas não é. As bandas da última sexta feira conseguiram tirar o povo de casa para curtir uma noite de muito rock, com covers e músicas próprias também, vale ressaltar.

Last Supper ---------------------------------------------------------

Por volta de meia-noite, Last Supper, tocando covers de Black Sabbath, fez a abertura. A banda agitou o público presente com os covers da fase Ozzy. A galera cantava junto músicas como Snowblind, Children of the Grave e War Pigs. O vocal William interpreta bem o Madman, tanto no tom de voz, quando no figurino. O (BOM) setlist dos caras foi:

Into the Void
Killing yourself to Live
Snowblind
Children of the Grave
Iron man
Sympton of the Universe
Behing the Wall of Sleep
War Pigs
Faires Wear Boots
NIB
Paranoid


Para dar início a nossa tarefa dupla, conversamos com o baixista Emer Niederauer. Ele contou como Black Sabbath cover começou as atividades. Confira: “Com exceção de mim, todos os outros integrantes já estiveram em outras bandas tributo ao Sabbath ou ao Ozzy, há mais de 10 anos. Com o nome Last Supper, a banda existe desde o final de 2006 e passou por algumas mudanças de formação, até chegar na atual com Tio Ilhão (vocal), Emer (baixo), Henrique (guitars), Maza (bateria)”.

Conversamos sobre o evento, pois o Last Supper é uma banda (tradicional) cover de Black Sabbath e Emer respondeu: “A proposta inicial do Last Supper sempre foi fazer um tributo ao Black Sabbath na fase Ozzy (1970 a 1978) e piramos muito tocando este som. Logicamente a vontade de fazer música própria nesta mesma linha existe e em breve devemos começar a compor um rock n’roll próprio. Tudo vai depender da estabilidade da formação e vontade de todos os envolvidos de encarar o projeto de outra maneira”.

Emer, tem 31 anos, já tocou em outras bandas de som próprio, como o excelente Jailor (Thrash Metal), e está há pelo menos 18 anos tocando. Comentou, com muita propriedade sobre a cena metal: “No que você se refere a Curitiba não estar mais nas rotas dos shows gringos eu discordo, pois se você analisar os últimos 5 anos, tivemos inúmeros shows de rock e metal internacionais na cidade (vários destes shows jamais imaginei assistir em Curitiba), muitos deles onde a demanda de headbangers era muito menor que o cachê cobrado pelas bandas e mesmo assim os promotores se arriscaram (e muitas vezes levaram prejuízo). Sobre a cena metal atual, apesar de ter excelentes bandas, a cena curitibana não está na sua melhor fase, pois tem gente demais falando merda, poucos lugares pra tocar e pouquíssima gente fazendo algo que preste. Sinto muita saudades da época que a cena underground não tinha lugares ditos 'bem estruturados', como era o caso do saudoso Mamão Café e do Bill's bar, eram as bandas que organizavam os eventos, os bares sempre enchiam, rachávamos o equipamento e, no final, o público saia satisfeito, dono do bar saia satisfeito e todas as bandas envolvidas saiam com grana da bilheteria dos eventos. Sobre contribuir com a cena, eu particularmente já fui mais ativo, organizei vários eventos, várias excursões para festivais de metal no Paraná e em outros estados e sempre apoiei bandas que considero boas (comprando material e recomendando-os para eventos onde tenho alguma influência).”

Terrorzone
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Na seqüência veio os "thrasher" do Terrorzone. Mesclando covers de Sepultura com as músicas próprias, a banda não agradou muito o público presente, justamente por tocarem suas composições próprias. Da Terrorzone podemos destacar a música nova "Do Not Believe in Their Fucking Lies" (D.N.B.I.T.F.L.), do Sepultura podemos destacar Troops of Doom e a dobradinha Policia e Orgasmatron, (que já são covers do próprio Sepultura). Confira o (curto) setlist dos caras:

Slave New World
Inferno
Detestation
Arise / Dead Embryonic Cells
D.N.B.I.T.F.L.
Insanity Arise
Troops of Doom
Policia / Orgasmatron



Seguindo o nosso roteiro, conversamos com o guitarrista Gustavo Henrique sobre os mesmos assuntos. A banda Terrorzone já é conhecida no blog, mas Gustavo contou alguns detalhes sobre o começo da banda. A Terrorzone começou em 2004, antes disso, Gustavo fazia parte de um Sepultura cover com o próprio batera Vito. Confira: "Primeiramente, obrigado pela oportunidade de podermos dar algumas opiniões sobre a cena metal de Curitiba. Bem, o Terrorzone existe desde de 2004, já  são 6 anos de metal. No começo eu tocava no Sepultura Cover, pois não encontrava ninguém afim de fazer som próprio e não queria ficar parado. Na segunda metade de 2004, comecei a fazer o Terrorzone como um projeto futuro, pois o meu objetivo sempre foi o de fazer som próprio. Consegui montar o projeto e logo que o Sepultura cover acabou convidei o Vito Cuneo para fazer parte da banda, começamos a fazer as primeiras composições como Random Bullet, Welcome to the Terrorzone e Evil Feelings. Hoje estamos com quase 20 músicas próprias, das quais nos orgulhamos muito."

Seguindo o papo, Gustavo comentou sobre a cena e o evento Tribute to Metal. Disse que não vê problema em fazer cover, desde que a banda cover não tire espaço das bandas de som próprio. "Na verdade o cover é bom no começo, para começar a entrosar a banda e fazer com que os integrantes se conheçam. Acredito que não existe banda que começa sem tocar covers, nós mesmos já tocamos muitas covers nos ensaios. Porém, como o objetivo sempre foi o som próprio, não costumamos tocar covers ao vivo. Para ser bem sincero, não gostamos de tocar covers, justamente por não sermos uma banda cover, me dedico ao nosso som, para aumentar o nosso repertorio", diz.

Sobre o Tribute to Metal, Gustavo comentou que tiveram problemas com a divulgação do evento e não demonstrou muita satisfação: "Para esse evento de hoje, fomos pegos de surpresa. Na real, quando recebi o mailing informativo do Bar, pensei até em cancelar a nossa participação, pois foi divulgado “Sepultura Cover” no mailing e nós não somos banda cover. Nós lutamos arduamente para divulgar nosso som e nome. Nós temos material de divulgação da banda como camiseta, bottom, chaveiro, CD's (praticamente um Kiss - risos) e isso não é por acaso. Queremos o nosso nome na boca da galera e queremos ser reconhecidos pelo som que nós fazemos, porque nós amamos esse som e fazemos ele com muita dedicação. Na minha opinião, existem bandas covers que são feitas simplesmente para servir como válvula de escape dos músicos que já tem som próprio e as bandas covers que simplesmente existem para ser modinhas e para tocar nos bares. Quando a banda cover serve de 'arroz de festa' de bar, complica, pois isso não contribui em nada para o crescimento da cena metal. A “piazadinha” que está começando a curtir som, que vão aos bares e o pessoal mais antigo que já frequenta a cena, começam a ficar acostumado só com cover, cover, cover e dificilmente preferem uma banda de som próprio. Isso é decadente. Nós já tocamos em Guarapuava, Ponta Grossa, Paranaguá e Pontal do Paraná e em todos esses lugares, tocamos o nosso som e fomos muito bem recebidos. No começo o pessoal fica meio desconfiado, mas depois do show, o pessoal vem nos cumprimentar e isso é o melhor de tudo. O reconhecimento da metalerada após o show é o que vale. O público adquire o nosso material, nós tiramos fotos com essas pessoas, é emocionante receber um cumprimento de uma pessoa que viu o show, ouviu as músicas e curtiu. Que fique bem claro que, eu não sou contra nenhuma banda cover. Sou adepto do livre arbítrio. Porém, enquanto as bandas covers forem mais valorizadas do que as bandas de som próprio, a nossa cena não terá força nenhuma".

Para finalizar, Gustavo que tem 32 anos e curte a cena metal da cidade há pelo menos 22 anos, declarou em tom crítico, sobre a cena da cidade. Confira: "A cena metal de Curitiba atualmente está pobre. Não de público, mas de estrutura. Temos apenas 2 lugares para tocar, os organizadores de shows não são profissionais, preferem bandas covers do que as bandas de som próprio, as bandas tem que pagar tudo, desde estacionamento até bebida e comida, as bandas não ganham um tostão para tocar. Qualquer “cidadezinha” de Santa Catarina tem uma cena melhor que a nossa. Existem vários festivais lá que oferecem oportunidades para as bandas de som próprio se apresentar. E não são festivais toscos. Os caras tem estrutura, equipamento de qualidade e público interessado em conhecer o som próprio das bandas. A nossa contribuição para o metal curitibano é estar sempre fazendo um som trabalhado, continuar tocando o nosso som e sempre se unir cada vez mais com os parceiros. Bandas como Necropsya, Alcoholic DC, Crusher, Redtie, Waking For Darkness e tantas outras, são bandas que estão na mesma vibração que nós e que também sofrem com a falta de espaço em Curitiba. Para mudar esse cenário, seria necessário uma união entre bandas e organizadores de shows aqui de Curitiba, para levantar a cena. Porém, parece que o status quo dessa situação esta muito boa para o lado de uns, em detrimento dos outros. Eu gostaria muito, mas muito mesmo, de poder ver festivais como River Rock, Bob Rock, Zombie Ritual, aqui em Curitiba, porém, acredito que estamos muito longe disso", concluiu.

Diableros
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Fechando a noite, os Diableros arregaçaram. A banda é boa, tanto na execução como no figurino. Podemos citá-los como destaque da noite, pois mandaram bem e a resposta era vista com o público presente, que estava insano. Abriram o show com Raza Odiada, podemos destacar ainda as músicas Matando Güeros, La Migra e Brujerizmo. O Setlist, na integra, foi:

Raza Odiada (Pito Wilson)
Pititis, te Invoco
Division del Norte
El Bajon
Hechando Chingasos
Matando Güeros
El Desmadre
La Traicion
Colas De Rata
Consejos Narcos
La Ley del Plomo
Anti-Castro
La Migra
Brujerizmo
Sepultura - Troops of Doom
Carcass - No Love Lost
Dying Fetus - Kill Your Mother and Rape Your Dog
Diableros - Fanstama (própria)



Para finalizar a nossa matéria, conversamos com o vocal Martin Dagger. O mesmo declarou que a banda é nova, contou rapidamente como foi o início: "A banda começou por causa de uma bebedeira cerca de um ano atrás. Durante um bate papo entre amigos vimos que gostávamos de muitas bandas em comum, particularmente Brujeria. Decidimos tentar fazer um Brujeria por hobby e ver o que saia. Inicialmente iríamos tocar com outro guitarrista, mas que 'vassourava' demais e não deu certo. O guitarrista atual (Giovani), como de se esperar, foi conhecido no bar e também curte um Brujeria".

Sobre a participação da banda no evento, Dagger declarou: "Tirando a última música que tocamos, que estamos terminando de compor, hoje tocamos só cover. Mas isso não significa que não valorizamos o trabalho próprio que as bandas vem fazendo por aqui. Apenas achamos que é mais fácil começar e entrosar a banda com covers. O Diableros já tem duas composições que estão sendo finalizadas e possivelmente serão tocadas em um próximo show.  Por enquanto não temos problemas em tocar covers, estamos nos divertindo." (Curioso como isso se assemelha com a ideia do Gustavo da Terrorzone. É simples e complicado ao mesmo tempo, né?!)

Para finalizar, conversamos sobre a cena metal. Dagger é um dos remanescentes que estão na cena há quase uma década. Confira: “De fato a cena parece um tanto quando desunida. Poucas bandas se ajudam e poucos bares dão espaço/apoio às bandas. Pelo fato de o dólar estar baixo esperava mais atrações internacionais rolando por aqui, mas parece que faltam produtores interessados ou preparados para fazerem os shows acontecerem. Acredito que todo mundo da banda já ajudou a cena de alguma forma. O Leonardo (batera), por exemplo, já teve algumas bandas de thrash/death (Carcinoma, Mercy Killing) e participa da cena há alguns anos fora. Ele já foi colaborador do Dark Desisres, que era um WebZine dirigido por mim e por outro camarada - Willian. Esse site era semelhante a proposta Arquivo Metal CWB. Nele publicamos notícias, resenhas, fotografias dos eventos e até chegamos a fazer um festival que lançou o Madrigal of Sorrow da Sad Theory. Infelizmente como não tínhamos nenhum retorno financeiro com essas tarefas, o WebZine DarkDesires acabou virando história. O Vinicius (fora o Diableros) também é baixista do Tomarock e também já teve outras bandas. O Giovani já teve diversas bandas de metal também, em Foz do Iguaçu e algumas aqui", concluiu.

Bom galera, esperamos que os nossos leitores, estejam entendendo nosso recado, não queremos uma visão pessimista da Cena Metal, Curitiba pode ser a melhor cena do país. Trabalhamos, para valorizar o que temos de melhor, dar voz para todos da Cena Metal: bandas, produtores e o público. As conclusões é você quem tira.

7 comentários:

Anônimo disse...

Materia legal!!!

Anônimo disse...

Galera, se alguém tiver fotos do evento, por favor mande no meu e-mail - keybow_leo@yahoo.com.br - Sou baterista da banda Diableros e gostaríamos de ter algumas fotos do show!
Valeu!!

|,,/_

robsonmaiocchi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
robsonmaiocchi disse...

Legal o post e tal, acho que Curitiba precisa evoluir muito pra voltar a ter uma cena bacana, como aquela de mais ou menos 10 anos atrás. Sempre fiz minha parte pra manter a cena viva, seja comprando cds ou comparecendo nos shows. É com pesar que vejo tudo isso acontecendo, espero que logo isso mude.

Anônimo disse...

esse show foi do caralho mesmo... esses Diableros detonaram mesmo...

Anônimo disse...

Brujeria é do caralho, parabéns Diableros!

Anônimo disse...

É foda. Na cena curitibana sobra gente querendo lucrar e falta MUITO gente querendo realmente promover eventos decentes.
Rola muita panelinha, também.

Acho que o cover não é algo tão ruim assim quanto as pessoas pintam. Tem gente que não tem cacife pra bancar uma ida até SP pra ver um show tesão, então o cover é a alternativa barata pra banda original. Tem gente que eu conheço que nunca viu um show de uma banda grande, só cover, e sai satisfeito.
Também, como mencionado na matéria, é uma ótima maneira de entrosar a banda e dar uma ambientação geral pro público de que tipo de som próprio você pode esperar vir dali.

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