21 de jul de 2010

Especial: Underground x Mainstream

Por Vito Cuneo

Alguns meses atrás o blog http://www.goregrinder.net/, lançou uma matéria sobre o tema Underground versus Mainstream. Vamos seguir a ideia, com os devidos créditos, pois queremos aprofundar a discussão.

Primeiro lugar, Mainstream é o pensamento corrente da maioria da população. Este termo é muito utilizado relacionado às artes em geral (música e literatura). A música mainstream denota que é familiar e inofensiva para as massas, oferece muita familiaridade e pouca experimentação, tanto na musicalidade quanto nos temas abordados em suas letras. Exemplos de estilos musicais comuns ao mainstream são: música popular em geral, música pop, rap (tradicional), urban contemporary, e soft rock. O jazz mainstream é geralmente visto como uma evolução do bebop, que foi inicialmente considerado como radical. E, qualquer estilo musical que tenha estas características.

Underground é uma expressão usada para designar um ambiente cultural que foge dos padrões comerciais, dos modismos e que está fora da mídia. Pode ser Cultura Underground ou Movimento Underground, para designar toda produção cultural com estas características, ou ainda Cena Underground, usado para nomear a produção de cultura underground em um determinado período e local. A Cultura Underground, ou seja, do submundo, também, pode estar relacionada a produção musical, as artes plásticas, a literatura, ou qualquer forma de expressão artística da cultura urbana contemporânea. ou seja, o oposto do Mainstream.

Então vamos conversar com as pessoas da cena metal sobre esse assunto. Para começar, convidei para o papo a batera da banda Panndora, Adrismith. Ela foi bem sucinta, confira:  

"Bom, vou ser breve nessa definição no meu ponto de vista: Bandas undergrounds são aquelas que ainda estão buscando maior notoriedade ou simplesmente querem chegar a isso! Posso citar Sodom (Thrash metal alemão), que é uma  otima banda, por exemplo. Underground tem vários níveis também."

"Já as bandas Mainstreans são aquelas que conseguiram grande notoriedade, seja pelo talento, sorte ou sonoridade! Como por exemplo Iron Maiden, Metallica, Black Sabbath, AC/DC, Led Zeppelin, e por vai, segue-se vários níveis também." Completou.

Adriane é formada em Turismo e trabalha na area de formação, declarou que não vive da banda (infelizmente risos), mas pelo tom da conversa gostaria.

A batera usou um bom exemplo das bandas Mainstream, o Ac/Dc. No começo da carrera a banda era totalmente Underground, atualmente, é uma das maiores bandas do mundo, o exemplo disso é o CD Iron Man 2, lançado pela banda em 2010. O Álbum contem um dvd com vídeos remasterizados, mostrando a verdadeira legião que segue a banda. Eu estava lendo na internet, que existem países do Leste Europeu que a banda não toca, devido a mudança de vocal. Segundo o texto, os moradores de países como Eslováquia e Eslovênia ainda escutam o som da banda com Bon Scott, Então, isso mostra que nessa região a banda ainda é Underground?!

Continuando com nossos participantes, convidei para o papo, Juninho da Lets Rock, loja de camisetas, CD's e artigos de rock e metal da cidade. Lembro da minha adolescência, quando estudava no CEP e no caminho casa-escola/escola-casa, sempre fazia uma parada na Lets Rock, quando ainda era no Passeio Público. Atualmente a loja está na Galeria Pinheiro Lima, próximo à Praça Tiradentes. E Juninho continua aquecendo a cidade. Juninho é um profundo conhecedor da cena rock/metal da cidade. Nosso papo rendeu singelas 7 laudas, vou dar uma boa resumida para não judiar de ninguém. Confira a opinião dele:

"Quando o Underground deixa de ser Maintream? É uma longa história... A música Underground é considerada aquela que mesmo sendo "comercial", esse termo entenda-se por música: gravada e vendida por alguma gravadora, seja ela independente ou não, é claro que em pequena escala (normalmente as tiragens de CD's são de apenas 500 a 1000 unidades), e escutada e comprada por uma pequena legião de adeptos e fãs, vamos logo a exemplos práticos:

Banda Underground do Heavy Metal 80’s da Alemanha: Tyrant – Alemanha – Heavy Metal, Hard Rock, Heavy Rock (1984-1988).

Discografia:
*Mean Machine – 1984
*Fight for Your Life – 1985
*Running Hot – 1986
*Ruling the World – 1988

Gravadora: Battle Cry Records – Alemanha. Com a tiragem de cada CD: 1000 exemplares.

Mesmo mostrando extrema qualidade sonora em todos os quesitos, além de excelentes composições, shows antológicos na Alemanha, podemos considerar sim, uma "grande" representante da cena Underground.

Passando um pouco para o Mainstream:

Podemos definir como banda que de alguma forma atingiu o estrelato, seja ela saindo do Underground, passando por todas as etapas e, enfim, alcançando o ápice, ou ainda aquelas que nasceram grandes, sendo elas fabricadas por grandes gravadoras ou mesmo em algum tipo de aposta de qualquer investidor ou ainda aquelas com:

1) Talento
2) Sorte (Estar na hora certa no lugar certo, além de achar a gravadora certa)
3) Acreditar (Bandas que chegaram a algum lugar, mesmo tendo sido rejeitadas por vários empresários, gravadoras e até mesmo produtores musicais).

Para exemplificar, um grande nome: Kiss – considerada uma das maiores, senão a maior banda de Rock de todos os tempos. Muito diferente do que a maioria das pessoas possam imaginar, essa foi uma banda que ralou muito pra alcançar a fama e começar a ganhar prêmios e vender discos. Quatro garotos com vocações musicais e com muita ambição encontram-se em Nova York no começo dos anos 70. Todos com alguma experiência, sendo ela alcançada em noites, bares, cabarés, mas com o principal: A vontade de fazer Rock 'n Roll. De cara apareceram as dificuldades, como locais para ensaiar, grana para pagar os ensaios e etc. Paul Stanley e Gene Simmons gravaram muitos backing vocals em muitas bandas para conseguirem algum dinheiro, para pelo menos poderem locar uma sala de ensaios. Peter Criss como tocava na noite sempre tinha algum e Ace Frehley era considerado um grande talento, mas sempre estava duro, pois gastava tudo em noitadas com festas e bebedeiras. Aconteceram os primeiros ensaios, mas estava difícil de tocar, muito menos receber por isso, então fizeram alguns shows gratuitos para a divulgação do trabalho, a banda chamava-se: Wicked Lester. Como não foi possível alcançar algo, quando conseguiram o primeiro contrato, esse assinado com a gravadora Casablanca, que era um excelente nome, resolveram impressionar e implementar um visual de palco novo, com outro nome e desde já com explosões e um novo nome em neon: KISS. Detalhe: Tudo pago pela própria banda. 

Os primeiros shows aconteceram em pequenos clubes no subúrbio de NY e dificilmente chegavam a 100 pessoas, após isso conseguiram finalmente receber por alguns shows, seus primeiros cachês, que foram correspondentes a 35 dólares. A banda começou a abrir shows pra nomes como: Blue Oyster Cult, Grand Funk Railroad, Alice Cooper, sempre impressionando a platéia presente, mas ainda sim com nada de expressão. O 1° disco Kiss foi lançado e a Casablanca prontamente pressionou em relação a baixa vendagem, isso continuou com o 2° e 3° disco. Foi quando a banda resolveu partir para shows fora de sua cidade natal, fizeram shows próximos a NY em New Jersey, Long Island e tiveram uma boa impressão e aceitação do público e dos promotores locais, mas foi em Detroit que a banda se firmou e passou a virar a lenda que existe até hoje.

Que fique registrado que apenas no KISS Alive! a banda alcançou seu primeiro disco de Ouro no lançamento e a partir desse todos começaram a bater records de vendagens assim como os anteriores que tinham sido em seus lançamentos fracassos de vendas. A partir daí vieram os considerados por muitos "Anos Dourados" do Kiss, com os Lançamentos de 1976: Destroyer e Rock n Roll Over além do excelente Love Gun de 1977. A então banda "Underground" passava para o estágio "Mainstream", alcançado posições de topo, vendagens incríveis, além de adquirir um exército de fãs pelo Planeta Terra, ou melhor: Planeta KISS!!

Discografia

1974 - Kiss. Casablanca.
1974 - Hotter Than Hell. Casablanca.
1975 - Dressed to Kill. Casablanca.
1976 - Destroyer. Casablanca.
1976 - Rock and Roll Over. Casablanca.
1977 - Love Gun. Casablanca.
1978 - Paul Stanley. Casablanca.
1978 - Gene Simmons. Casablanca.
1978 - Ace Frehley. Casablanca.
1978 - Peter Criss. Casablanca.
1979 - Dynasty. Casablanca.
1980 - Unmasked. Casablanca.
1981 - Music From "The Elder". Casablanca.
1982 - Creatures of the Night. Casablanca.
1983 - Lick It Up. Mercury.
1984 - Animalize. Mercury.
1985 - Asylum. Mercury.
1987 - Crazy Nights. Mercury.
1989 - Hot in the Shade. Mercury.
1992 - Revenge. Mercury.
1997 - Carnival of Souls: The Final Sessions. Mercury
1998 - Psycho Circus. Mercury.
2009 - Sonic Boom. Kiss Records.

Em tempo um breve relato conclusivo:

Nesses mais de 28 anos de serviços prestados e dedicados ao Rock n Roll, pois tive minha iniciação ao Rock em 1982, vivi, presenciei e ouvi muitas histórias e acontecimentos. Mas duas delas preciso aqui relatar.

1) Ronnie James Dio: 1942-2010, Vocalista: Elf, Rainbow, Black Sabbath, DIO, Heaven & Hell.
Esse senhor, assim digo, pois na ocasião era 1997 e ele tinha 55 anos, foi protagonista de uma história que faz a gente pensar e muito a respeito de: Fama, Carinho, Dedicação aos fãs, Atenção, Educação, Respeito. A situação ocorreu no Aeroporto, quando ele com a banda DIO desembarcaram e lá fui eu ao seu encontro para os famosos autógrafos em discos e cds, apresentei-me primeiro mas logo depois veio a surpresa, quando a caneta caiu, ele prontamente desculpou-se pedindo para ele mesmo se abaixar para pegar a caneta e continuar tudo , assim atendendo a todos do primeiro ao último que ali estavam. Não bastasse isso, ao chegar no local e horário do show, me deparei novamente com o Deus do Metal, e aí saindo da Van, referiu-me a minha pessoa chamando-me pelo nome, perguntando como eu estava, mesmo tendo feito apenas um encontro em um tão pequeno tempo. INCRÍVEL!! Gesto Inesquecível.

2) Paul Stanley: 1952 Vocalista KISS. Em um encontro desses com fãs nos Backstages, tive a honra de conhece-lo assim como toda a banda e após a longa sessão de fotos, autógrafos, perguntas e respostas, a caneta do Paul Stanley falhou, foi quando ele veio até mim pedindo a minha emprestada e é claro que emprestei. Ao final de tudo para resumir, ele veio até mim devolvendo a caneta, agradecendo e ainda: Pedindo licença para se retirar da sala para entrar no palco para começar o show. SENSACIONAL!! INACREDITÁVEL!!

3 comentários:

Guilherme Carvalho disse...

particularmente não acho que uma banda precisa ser mainstream para ser reconhecida como uma boa banda. há exemplos de bandas ruins que chegaram a esse nível. da mesma forma como underground. temos excelentes bandas que nunca explodiram. ser underground ou ser mainstream não é pode ser critério para medir a qualidade das bandas.

Anônimo disse...

A banda pode ser mainstream, sem deixar de ser underground. Bandas como PANTERA, SLAYER, sao bandas grandes, bandas renomadas, que atingiram SIM o mainstream, mas NUNCA deixaram de ter a veia underground.

Fica 1 abraço

GUSTAFAH TERRORZONE

Anônimo disse...

grade matéria...
o negócio é ser humilde sempre, quando a banda for pequena e principalmente quando ela for grande, pequenos gestos fazem a diferença...

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