27 de out de 2011

Entrevista: Imperious Malevolence extremo desde o começo

Confira abaixo a entrevista realizada por Anderson “Felis” com o vocalista e baixista da banda curitibana Imperious Malevolence, Rafahell.

Imperious Malevolence (IM), banda curitibana  com mais de 16 anos de estrada. Praticam um “brutal” death-metal de qualidade, e sem se vender a modismos ou tendências. Levamos um papo com Rafahell, vocal e bass, além de destacar o momento atual da banda, ele comenta as dificuldades enfrentadas, novos lançamentos e como foi a transição e entrada do novo membro Danmented na guitarra.

Anderson “Felis”: Saudações Rafahell, é um prazer poder fazer essa entrevista com uma banda  de tamanha qualidade na cena Death Metal  nacional. Inicie nos contando como foi o início do I.M.
Rafahell: Hail! A ideia inicial do IM surgiu justamente na metade da década dos anos noventa. Naquele momento tanto eu como o Mané estávamos bastante envolvidos com o metal extremo em Curitiba. O Mané vinha de uma raiz mais old school que eu, pois já tinha participado de várias formações de bandas locais.
Quando ele se desligou do Infernal, em agosto de 1995, mais ou menos, nos reunimos pela primeira vez para tocar. Ele já tinha umas boas sacadas de alguns riffs e logo já estávamos com três sons prontos. Desde aquele momento definimos musicalmente o IM, praticando o mais puro Death Metal, que era a cena que estávamos intensamente envolvidos. Fomos muito influenciados pelas bandas de Death da Flórida e também no Thrash mas antigo e principalmente nos identificávamos com as bandas mais satânicas como Deicide, Slayer, Morbid Angel, Sepultura dentre outras coisas mais. 
Logo, então, tínhamos uma line-up formada, e gravamos ainda em 1995 a demo tape "From Eternal Vacuum Storms". Após certa divulgação da demo tivemos mudança de integrantes e comecei a fazer as vozes além do baixo.  Então, permanecemos como um quarteto até a gravação do primeiro CD que saiu em 1999. Como já havíamos tocado muito por aqui naquela década, e as bandas brasileiras estavam começando a abrir caminho  na gringa, agilizamos um contato e nos mandamos pra Europa pra primeira tour por lá, acho que foi um momento mágico aquele, pois tudo era novidade e sonho e de fato acho que a primeira experiência como banda fazendo um circuito profissional. Após isso, nos estabelecemos como um power trio de Death Metal, e aí o que seguiu foram mais álbuns gravados e varias tours principalmente na Europa para a divulgação do material. Temos orgulho de continuar após todos estes anos fazendo o som que gostamos e não nos restringindo a ficar estagnados nunca. É muito bom estar aqui ainda produzindo as coisas e dando passos maiores a cada ano que se passa.
Já se passaram muitos anos e o IM permanece vivo aqui no presente, propagando energia sonora através de nossos concertos em honra da música extrema e pesada.

AF: Sabemos que a internet é uma ferramenta fantástica na divulgação de todo tipo de material, mas também acaba trazendo muito “lixo” aos ouvintes. Quando comecei a ouvir Death Metal (lá por 1990) era muito difícil conseguir materiais das bandas, e era muito raro e caro, até valorizávamos mais. Você acredita que a internet pode trazer novos e reais apreciadores do estilo?
R: Assim como eu e você, aqui muitos leitores vão lembrar-se de quando éramos mais jovens e como fomos iniciados na música pesada. Com certeza vivenciamos outros tempos, que muitos hoje nem imaginam. Certamente que para conseguir material e contatos era muito mais difícil. Poucas lojas ofereciam metal em suas fileiras, até por estarmos no Brasil o material chagava aqui com maior dificuldade. As bandas se correspondiam por cartas e o Death e o Black Metal ainda eram bem obscuros, passando longe da grande massa. Talvez esse fato de compreender a música pesada, idolatrá-la e ter como estilo de vida, pertencer a um grupo seleto, esse era o fato que fosse mais valorizado. Tudo foi mais difícil, mas acho que também foi mais foda! Difícil pra comprar bons instrumentos e equipo, shows na raça mesmo, tudo isso foi muito bom nos anos noventa. Até mesmo gravar e lançar em CD era algo muito caro e trabalhoso. Creio que atualmente as coisas muito mudaram. Claro que a produção das bandas hoje em dia é muito mais fácil, assim como a comunicação e velocidade dos acontecimentos. Quem diria que hoje qualquer um pode estar em contato virtual direto com qualquer ídolo seu? Ou escutar músicas e assistir vídeos em uma facilidade realmente sem antecedentes.
Boa época em que vivemos para a facilidade das coisas eu acho. Mas em contraponto, a quantidade de material supérfluo que vem sendo feito, isso torna realmente algo difícil para muitos discernirem e opinarem a respeito de muitas coisas que vem sendo produzidas, pois muitos nem sequer tem parâmetros para avaliar e ter sua opinião.
Tudo isso é muito ambíguo, pois também tem o lance de que cada um tem uma visão particular de qualquer coisa que escutem ou vejam.
O Metal sempre atraiu a curiosidade de muitos, algo que já está perpetuado. Enquanto existirem pessoas que parem para pensar um pouco e entender a música feita por boas bandas, o público continuará mantendo as bandas vivas, e a coisa segue. Tudo está girando ao redor de nós, basta ser a antena e captar a música da nova era. 

AF: Essa mudança no line-up da banda, a saída do Mané, e a entrada do Danmented na guitarra, mudou  a  maneira da banda compor? O Daniel é um guitarrista experiente no meio, o que ele agregou a banda?
R: Como toda alteração de line-up que acontece, sempre existem mudanças. O Mané foi um dos membros da formação original do IM, e vinha por cerca de 13 anos tocando conosco. Claro que foi difícil assimilar a saída dele, mas as coisas são assim mesmo, todos passamos por mudanças e renovações. O cara continua nosso brother e vice-versa e, na real, é isso que vale para nós. Vale citar também a breve passagem de Renato Rieche no IM. Ele trouxe novas experiências, mas foi apenas um momento. Aí veio um período em que eu e o AntonioDeath permanecemos ensaiando, somente nós dois, compondo o álbum novo, acertando detalhes e procurando um guitarrista certo sem stress. Ai que apareceu o Danmented que,  por sinal, éramos amigos de longa data, daquela cena dos anos 90. E ele tá dando seu gás agora no IM. Ao meu ver todas essas fases e pessoas  que citei tiveram influências no material novo. Acho que atingimos um grau muito grande de refinamento e criação, o que deixou as músicas novas extremamente matadoras e com uma estrutura bastante simples, como se 10 megatons de decibéis estivessem indo para seus tímpanos...

AF: O álbum “Hatecrowded”, de 2002, trouxe a música “Arquiteto da destruição”, que ficou ótima cantada em português. A aceitação foi muito boa por parte dos apreciadores do estilo. O I.M tem interesse em cantar em português novamente? 
R: Com certeza ainda cogitamos de fazer mais um som em português nesse próximo álbum. "Arquiteto" surgiu de zoeira em um ensaio, e aí achamos que soava tão legal que resolvemos gravá-la. Acho que é um dos hinos do IM, sempre a galera pede ao vivo e, recentemente, voltamos a executá-la. É sempre matador quando a tocamos. Ainda é cedo pra adiantar mais detalhes do próximo material, mas todos vocês podem ter certeza que estamos com a fornalha trabalhando a todo vapor. Brevemente vamos ter mais músicas assim para fazer o coral do demônio.

AF: Vocês estão lançando o novo EP “Priests Of Pestilence” com 3 novos sons,  que impressiona pela energia descarregada em nossos tímpanos. Percebi que foi lançado de forma independente. Nos fale sobre esse material e qual a previsão de sair um CD completo?
R: Valeu pelos elogios. Com certeza você entendeu a energia contida no single. Tivemos a intenção de gravar um EP com três músicas novas para mostrar como o IM está soando atualmente, com a formação estabilizada. Na verdade o álbum inteiro foi composto neste ano. São dez músicas novas que já estamos apresentando ao vivo nos últimos shows que fizemos. Aproveitamos para gravar o single com músicas que já apresentam a linha musical que vem sendo praticada e estamos divulgando ao máximo para tentar obter um contrato com algum selo que esteja interessado em fazer uma parceria conosco. Neste meio tempo estamos usando também muito os recursos de mídia digital e web para ter maior abrangência e fortalecer ainda mais a divulgação que no momento segue de forma totalmente independente. Fizemos tudo neste trabalho, desde a composição, arranjo das músicas gravação e produção, assim com concepção e confecção da arte e capa.
Aproveito aqui para dizer àqueles que queiram escutar o "Priests of Pestilence", podem ir no myspace ou facebook oficial do IM, pois lá vocês podem escutar o streaming das músicas ou também podem fazer o download digital do EP. Lá tem os links para tudo isso e também para adquirir o single em formato de CD, que ainda continua disponível em edição limitada, assim como outros itens de merchandise oficial do IM.
Os planos são de gravar o álbum completo para o início de 2012. Estamos trabalhando por isso. 

AF: Recentemente fui a um show do I.M. A energia no palco é de matar a pau! (risos) E verifiquei uns shows realizados na Alemanha, em 2008, grandes apresentações. O que motiva o I.M tocar com tamanha “garra”?
R: Acho que esse lance mais visceral está muito presente nas bandas extremas do Brasil. Sempre tudo feito com muito suor e muitas vezes na moral mesmo.
Quando estamos criando coisas para o IM sempre procuramos deixar a energia fluir totalmente, creio que tudo isso é canalizado nos riffs apresentados e também nos shows ao vivo, onde as coisas funcionam como um ritual, onde nos preparamos para tentar fazer o melhor no palco, reproduzindo fielmente a arte extrema para nosso público que tem nos acompanhado por muitos anos. A sensação de estar tocando alto e distorcido, somado com a energia sempre louca dos bangers nos shows, acho realmente que uma cena desta cria uma paisagem altamente elétrica onde entidades bestiais se projetam.
O que continuamos a fazer nos palcos é exatamente o que sempre fizemos de forma natural para nós mesmos, o que o IM realmente é. Estes festivais que fizemos na tour de 2008 foram realmente fantásticos. Aquele foi um ano muito bom para nós.
Foi a tour de divulgação do "Where Demons Dwell". De cabeça fomos para fazer três open air grandes por lá, no verão, algo memorável e realização pessoal de poder participar de grandes shows ao lado de bandas que escutava quando tinha 15 anos de idade. Isso realmente foi foda. Vocês podem até dar uma conferida em nosso canal oficial do youtube. Tem várias coisas interessantes dessa época lá. Essa garra com certeza vem dessas histórias aí...

AF: Vocês romperam com o selo Evil Horde  e sabemos que conseguir um selo que realmente faça um bom trabalho não é nada fácil, ainda mais no Brasil, onde a prensagem é muito cara e há falta de seriedade de muitos. Como vocês estão pensando em lançar esse futuro material? Já existem mais músicas prontas?
R: Como já comentei anteriormente, lançamos uma parte do material de forma independente em um EP. Isso funciona como um single para divulgarmos os novos sons e buscar por propostas de selos. Estamos concentrados nisso agora mesmo. Atualmente procuramos por um selo para fazer um trabalho de parceria. As outras músicas também já estão prontas e o material está todo concebido. Paralelamente, já trabalhamos com a divulgação de forma independente nas mídias digitais e net. Agradecemos a Evil Horde Recs pelo trabalho que realizamos juntos, muito profissional, mas agora é tempo de o IM caminhar um pouco mais à frente, novamente.

AF: Existe a possibilidade de conseguirem um selo estrangeiro?  Bandas como Krisiun ralaram muito pra chegar onde estão. Vejo o I.M no mesmo caminho. O que você vê como vantagem de lançar material por um selo de fora?
R: Existe um fator atual que é que toda a estrutura do show business mudou. As coisas já não são como há 12 anos atrás quando, por exemplo, bandas como o próprio Krisiun ou Rebaelliun, Nephasth conseguiram contratos com selos maiores. Sempre houve muita persistência e originalidade das bandas aqui, inclusive destas que citei e que foram abrindo, mais uma vez, o caminho pras bandas brazucas no exterior. O IM também estava lá nesta época divulgando o som. Fizemos muitas coisas lá que foram muito massa.
Mas pegamos uma transição de quando a internet vinha pegando força e, assim, derrubando o orçamento dos selos. Nos últimos anos realmente não vi muita renovação com bandas boas no cast dos major labels, mesmo existindo várias por aí. Sinceramente, vejo que esta barreira de ter "material lançado lá fora" é algo que se anula com a net, já que estamos todos conectados.  Estamos usando isso ao máximo, pois, assim, as coisas também não ficam estagnadas ao ponto de ficar buscando algo que é quase que um sorteio de  loteria. O material está sendo produzido e tem que ser lançado e executado ao vivo.
Mais do que nunca, queremos tocar o máximo que puder e mostrar àqueles que queiram ver, que o veneno continua forte.Com selo, maravilha. Independente? A marcha continua.

AF: Eu cheguei em Curitiba a pouco mais de 3 anos, mas já acompanho a cena local há muito tempo. O I.M foi e é uma de minhas principais influências. A agora te pergunto: o que você diria sobre as boas bandas que se acabaram e sobre as que ainda estão na ativa aqui na capital paranaense?
R: A cena metal de Curitiba sempre foi forte e com muitas bandas violentas. Desde a década passada lembro-me de muita galera tocando e assim montando projetos e bandas. Infelizmente a maioria delas se diluiu, digo as daquela década, como o Infernal, Hecatomb, Evil War, Fornication e mais um monte delas, que tiveram sua importância, isso em meados de 2000. Daquela leva, acho que o próprio Imperious, o Necróterio, Doomsday, Amencorner, estão, de alguma forma, por aí vivas, ainda. Sempre rola o sangue novo na cena. Acho que, atualmente, tem várias bandas da galera mais nova e que são realmente fudidas, fazendo som em Curitiba. Temos lugares bacanas pra tocar e muitos shows rolando por aí, mas, infelizmente, nunca tivemos aqui um selo, e poucas casas tradicionais que apoiassem as bandas, com constância desde aquele tempo. É uma pena ver vários irmãos que não tocam mais hoje em dia, muitas vezes por falta de motivação e tal, mas as coisas são assim mesmo. O Paraná continua forte e com muita banda decente fazendo boa música pesada, sem dever pra ninguém. 

AF: Vejo no I.M grande influencia de Morbid Angel, na maneira de cantar, compor. O que achou desse novo material dos caras? Acredita que foram influenciados pela ”tendência” europeia  de colocar elementos eletrônicos nas músicas?
R: O Morbid Angel sempre será influencia para todas as bandas de Death Metal já que, inegavelmente, eles criaram a base de muitos elementos para o som extremo. A discografia deles sempre foi meio experimental, desde outros álbuns, mas nesse, o negócio ficou muito evidente. 
Por um lado eles também ficaram muito tempo sem gravadora, mudaram line-up algumas vezes, mas não vejo esse álbum com muitas influências europeias, não. Na verdade, vejo como algo bem americanizado mesmo. Li uma entrevista com o Trey, e o cara está bem envolvido com lance de "cura espiritual", tipo Deepak Sophra, e pira num lance de "música para o corpo". Por outro lado, também tem o Vincent, que sempre é um maestro e mata a pau nas músicas "mais morbid angel" deste álbum, mas também tem a bagagem de bandas industriais como o Genitortures. Extravagâncias a parte, metade do disco é matador. A outra poderia ter sido lançada como um projeto paralelo gothic-rave ou algo assim. Ainda prefiro o "Covenant" que é eterno.

AF: Rafahell, agradecemos pela gentileza em responder essa entrevista. Desejamos toda a glória ao Imperious Malevolence, pois sabemos  como é árdua a luta por um lugar no underground nacional e mundial. Deixamos o espaço a sua disposição para comentários finais. Hails real Death-Metal!!
R: Eu gostaria de agradecer essa nossa conversa, e também a todos que nos acompanham de  forma ou outra no metal extremo. O Imperious Malevolence continua forte e tem muita pólvora para queimar ainda. Espero encontrar vocês brevemente nos shows para podermos curtir um som e beber uns drinks, celebrar o metal. Mais uma vez, aproveito para dizer a todos que o single ainda está disponível. Acessem nossos sites que lá tem bastante material para vocês, atualizações, downloads e muito mais.
Força e abraço a todos. All hail to the new Musick!

Para saber mais: myspace.com/imperiousmalevolence e facebook.com/imperiousmalevolence

DISCOGRAFIA:
+From Eternal Vacumm Storms+ Demo/1995
. Self released.
+Imperious Malevolence+Full-length/1999
.Deafen Music Ediction-Bra.
+HateCrowded+Full-length/2002
.Deafen Music Ediction-Bra.
+LIve in Germany+ Split EP/2003
.Merciless Records-Ger.
+Kill, Fuck & Destroy+ DVD/2005
.Dark Side Records-Bra.
+Warriors of the Morbid Moon 3+Split EP/2005
.Moondo Records-Bra.
+Where Demons Dwell+Full-length/2006
.EvilHorde Records-Bra.
+Priests of Pestilence+Single/2011
.Independent.

Um comentário:

robsonmaiocchi disse...

Muito boa a entrevista, gostei!

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