6 de out de 2014

Review de show: Dream Theater (Master Hall - 02/10/2014)

Antes de mais nada gostaria de ressaltar que as próximas linhas escritas se tratam não apenas de mais um simples review de show (não que os outros sejam menosprezados, cada um tem o seu mérito, as suas lembranças), mas sim de uma experiência única. Sabe quando você vai ver um show de uma banda que gosta muito mas por algum motivo não está com a mesma expectativa que deveria estar? E sabe quando você vai ver esse show sem muita expectativa e acaba tendo uma surpresa muito positiva?

Na última quinta feira (02/10) tivemos a volta do DREAM THEATER a Curitiba após 4 anos. Na oportunidade foi a última tour do baterista Mike Portnoy, que pouco tempo depois deixaria a banda pela porta dos fundos. Portnoy era um dos pilares da banda e um pouco da minha falta de expectativa se deveu exatamente pela incerteza de como a banda reagiria ao vivo sem a energia do cara.

O show aconteceu no Curitiba Master Hall e a casa só abriu às 21h, 2 horas após o previsto. Para esse show havia a divisão de pista normal e VIP, o que em shows com previsão de muita gente (o que era o caso) se torna um pouco "apertado", haja vista o local, embora com capacidade razoável, não seja tão grande. E como era esperado a galera compareceu em grande número, haja vista o Dream Theater ser uma das principais bandas da atualidade. E a grandiosidade da apresentação já era perceptível no telão que cobria o palco, refletindo imagens em movimento do espaço sideral com galáxias, culminando na Terra e no símbolo da banda (a referência ao Majesty, nome da banda antes de se chamar Dream Theater).

O show, previsto para começar às 22:30h, começou quase meia hora depois. E a contagem regressiva ao som de "False Awakening Suite", música instrumental que abre o álbum homônimo e mais recente deles, é simplesmente arrepiante, pois passa uma animação no telão com referência a todas as capas dos álbuns da banda em ordem cronológica até chegar no último. Aliás, a parte visual do show foi um espetáculo a parte - simplesmente perfeito tamanho profissionalismo e qualidade usados nessa tour. A cada música aparecia uma animação em referência a ela no telão, simplesmente fabuloso.

E com uma abertura arrepiante dessas claro que a entrada da banda no palco foi energizante, e "The Enemy Inside" do último álbum abre a apresentação. Mas é em "The Shattered Fortress" que o bicho começa mesmo a pegar. Ali os caras começaram a esbanjar a técnica que lhes é peculiar, os agudos do vocalista James LaBrie, os solos fantásticos do guitarrista John Petrucci, a frieza e precisão do baixista John Myoung, a maluquice do mago das teclas Jordan Rudess e a qualidade do baterista Mike Mangini - o cara que eu tava mais curioso para ver a performance. E posso dizer que Mangini, se não tem o mesmo carisma de Portnoy (coisa que pouquíssimos cidadãos no planeta têm), tecnicamente teve um desempenho muito bom e matou a pau.

O set list tocado nessa tour prioriza, na primeira parte do show, o último lançamento da banda, o álbum "Dream Theater", lançado em 2013. Desse play destaque para as melódicas "The Looking Glass" e "Along for the Ride", bem como a instrumental "Enigma Machine". Também foi interessante olharem para o subestimado "Falling Into Infinity" (1997) e tocarem "Trail of Tears", uma das melhores músicas deles (IMHO) - claro sem antes humilhar seus instrumentos na introdução e também após a música. Aliás, só ressaltando que ver John Petrucci "guitarrar" é pra fazer qualquer aprendiz de guitarrista desanimar.

Passada a primeira parte (que já durou o tempo de um show normal), 15 minutos de descanso. Só que, como vi um comentário em algum lugar, o intervalo de um show do Dream Theater é beeeeem melhor que o intervalo do Super Bowl. Foi transmitido um video de uns 10 minutos contendo cenas pra lá de engraçadas, como uma dublagem brincando voz grave Petrucci, comerciais fictícios de bonequinhos dos integrantes da banda, vídeos de fãs tocando covers e versões inusitadas das músicas do DT, enfim, mostrando o lado engraçado dos caras, deixando claro que eles não são apenas uma banda de músicos extremamente técnicos e frígidos.

Na volta uma celebração aos 20 anos do álbum "Awake" (1994). Uma sequência matadora com "The Mirror", "Lie", "Lifting Shadows Off a Dream", "Scarred" e "Space-Dye Vest", todas do referido álbum - sequência que fecha o mesmo, inclusive. Para finalizar essa segunda parte, mandaram ver a mais nova épica da banda, "The Illumination Theory". Uma animação fantástica era exibida enquanto tocavam a espetacular música de quase 20 minutos de duração.

Mais uma pausa e a volta para a terceira parte se deu, para a loucura dos presentes, com uma celebração a mais um álbum clássico, "Metropolis, Part. 2: Scenes From a Memory" (1999) e seus 15 anos com, agora sim, a sequência final: "Overture 1928", "Strange Déjà-Vu", a instrumental "The Dance of  Eternity" (momento em que LaBrie tira um cochilo, rs) e, para fechar com chave de ouro, a emocionante "Finally Free". O que dizer de um show que passou das 3 horas de duração?

Passadas as eleições eis que divulgo aqui os meus votos: Mike Mangini para Deputado Estadual, Jordan Rudess para Federal, John Myoung para Senador, James LaBrie Governador e John Petrucci Presidente. Todos do Partido Dream Theater. E foram eleitos com folga, diga-se de passagem.

Setlist:

Act 1
(False Awakening Suite)
The Enemy Inside
The Shattered Fortress
On the Backs of Angels
The Looking Glass
Trial of Tears
Enigma Machine (drum solo by Mike Mangini)
Along for the Ride
Breaking All Illusions

Act 2
The Mirror
Lie
Lifting Shadows Off a Dream
Scarred
Space-Dye Vest
Illumination Theory

Encore:
Overture 1928
Strange Déjà Vu
The Dance of Eternity
Finally Free
(Illumination Theory)

Fotos: Makila Crowley

2 comentários:

Anônimo disse...

Para quem curte deve ter sido um esculacho mesmo o show, mandou bem de novo Jean, vc pode ser o secretário do partido hehehehe.

Ettine ♫.

Heraldo Espindola disse...

Baita review Jean. O DT é uma banda acima da média. Legal os caras não deixarem que a saída do Portnoy tenha sido sentida, pelo menos no aspecto técnico. Melhor ainda é ter as expectativas sobre o show superadas. Deve ter sido um puta show. Parabéns pelos comentários.

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