12 de ago de 2012

Resenha: Testament - "Dark Roots Of Earth" (2012)



Quatro anos se passaram desde o lançamento de "The Formation Of Damnation", a banda se recuperou das constantes mudanças (principalmente bateristas), problemas internos (o câncer diagnosticado na garganta do vocalista Chuck Billy no início de 2000) e a busca por uma gravadora sólida para o suporte necessário.

Felizmente, a banda manteve o clássico time de outrora: Billy, Eric Peterson, Alex Skolnick (fenomenal), Greg Christian e na bateria temos o "monstro" Gene Hoglan (Dark Angel, Death, Strapping Young Lad, Fear Factory - currículo de respeito!). Com diversas turnês que sucederam o disco anterior (inclusive shows com o line-up original) e as que promoveram o mesmo, a banda entrou em estúdio ao final de 2011 para as gravações de uma nova obra.

E digo desde já que este álbum não é uma repetição ou meramente continuação do anterior; tão pouco tem a pretensão de reviver algum clássico do passado. A banda desenvolveu seu trabalho focada no presente, mas sempre fiel ao Thrash Metal que a caracterizou. E louve-se aqui o espetacular trabalho de guitarras da dupla Skolnick / Peterson, a "cozinha" criativa e precisa com Christian / Hoglan, mas quem se sobressai no disco de ponta a ponta é Chuck Billy - em grande forma, com alcance, variação e potência sonora como há tempos não se via. Não é exagero algum afirmar que ele é um dos melhores vocalistas da cena.

Musicalmente, a banda nos trouxe um disco que equilibra na medida certa, o peso essencial com a melodia e feeling para tornar a audição prazerosa até o fechamento da obra.
O álbum abre com "Rise Up"; riff espetacular com as famosas "paradinhas" tradicionais do estilo e que o Testament faz com perfeição, levadas sensacionais e refrão para berrar junto com Chuck: "When I say Rise Up You say War Rise Up... War! Rise Up... War!".

Logo após, uma das escolhidas como single - "Native Blood", traz a porradaria de álbuns como "Demonic" e "The Gathering" (obra-prima), com direito a "blast beats" (cortesia de Gene Hoglan), camadas de riffs absurdamente pesados e Chuck cantando muito!
As melodias bem sacadas continuam presentes na faixa-título, uma canção moderada que cresce em intensidade, atingindo o clímax no excelente refrão. "True American Hate" - primeiro single, é a típica "arrasa-quarteirão"; talvez a melhor do álbum, com mais "blasts", rifferama hiptnotizante, variação vocal sob medida, puta refrão e solo estupendo do mestre Skolnick.

Na sequência, temos "A Day In Death"; com linha de baixo criativa, mantendo o padrão de qualidade. Em "Cold Embrace", temos uma "semi-balada"; algo já tradicional nos discos do Testament - que o faz com maestria e competência de poucos, sem soar forçado ou enjoativo (Lars Ulrich deveria aprender com estes caras). Dedilhados com muito feeling, show de vocalização, solo estupendo, refrão grandioso - enfim, humildemente colocaria esta faixa no mesmo patamar de "The Ballad" e "Return To Serenity".

"Mans Kill Mankind" volta com a porrada sonora; Thrash em sua essência, "Throne Of Thorns" começa com dedilhados lentos e até manjados, mas depois o peso toma conta e somos surpreendidos com um riff "sabbhatico" - pouco mais de sete minutos de musicalidade acima da média. Encerrando o álbum, temos "Last Stand For Independence" e o disco fecha como iniciou: riffs sensacionais, velocidade, técnica e melodia na medida certa.

Há de se destacar também a produção do "mágico" Andy Sneap (em timbres de guitarra, ninguém é melhor do que ele); que deixou a sonoridade de tal forma que parece que ao escutar o disco, a banda está tocando na sua casa!

Em suma, temos um trabalho de primeira qualidade desta lenda viva da Bay-Area; que ano após ano reafirma sua condição de figurar digna e merecidamente entre os melhores do Thrash Metal (esse Big Four atual é totalmente questionável - com exceção do Slayer).

Registro também que na edição especial deste álbum constam três covers: "Dragon Attack" (Queen), "Animal Magnetism" (Scorpions) e "Powerslave" (Iron Maiden"); todas executadas de forma honesta e servindo mais como um tributo do que cópia - uma vez que é impossível fazê-lo.


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